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Edição Comemorativa do 60º aniversários de fundação Nippon Country Club - 1960~2020

NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 1
2 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 3
EDIÇÃO COMEMORATIVA DO 60° ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO
NIPPON COUNTRY CLUB
60 ANOS DE SUCESSO, CAMINHANDO PARA O FUTURO
1960 ~ 2020
4 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
EDIÇÃO COMEMORATIVA DO
60° ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO
NIPPON COUNTRY CLUB
60 ANOS DE SUCESSO, CAMINHANDO
PARA O FUTURO
Presidente
Valter Takeo Sassaki
Comissão do Livro
Koitiro Hama
Roberto Noda
Rubens Harumy Kamoi
Valter Takeo Sassaki
Editor Responsável
Francisco Noriyuki Sato
MTB 23572
Jornalista
Helder Horikawa
MTB 26672
Diagramação
Ana Kelly de Bastos
Antonio Paulo Goulart
Fotografia
Hideki Tanaka
José Roberto Kakazu
Leonardo Obara
Voluntários do Nippon
Arquivo do Nippon
Revisão
Comissão do Livro
Produção Editorial
NSP Editora
www.culturajaponesa.com.br
francisco@nsp-editora.com.br
Impressão
Pancrom
Nippon Country Club
Estrada dos Vados, 260
Rodovia Presidente Dutra, km
205,5
Arujá - São Paulo
Tel.(11) 4652-0270
Escritório de São Paulo:
Av. Liberdade, 47 - andar
Tel.(11) 3111-3999
www.nipponclub.com.br
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 5
Índice
Mensagens ............................................... 6
Depoimentos de quem ajudou a levan
tar o Clube
Sadao Kayano .................................. 14
Koitiro Hama ................................... 16
Shigeaki Ueki ................................... 18
Hiroyuki Sato ................................... 20
Álvaro Yamakawa ............................. 22
Hatiro Shimomoto ........................... 24
Mitico Endo ..................................... 26
Hiroshi Takahashi ............................ 28
Valter Sassaki ................................... 30
Yutaka Watanabe ............................. 32
Rubens Kamoi ................................. 34
Tadayoshi Wada ............................... 36
Althea Abiko .................................... 38
Edison Ikuno ................................... 40
Cláudio Sassaki ............................... 42
Roberto Tanaka ............................... 44
Diva Nakamura ............................... 46
Roberto K. Noda .............................. 48
Kazuo Aoyagui ................................. 50
Wagner Vilela .................................. 52
Uma história de compromisso e respon
sabilidade
História do Nippon Country Club . 56
Nova aquisição: Mais lazer e conforto
aos associados ......................................... 78
Ações Sociais: Muito além das quadras
e dos salões ............................................. 80
Investindo na próxima geração: Acade
mia do Futuro ......................................... 84
O Clube Hoje
As instalações para os associados ........... 88
Eventos e Departamentos que movi
mentam o Clube
Confra ............................................. 98
Undoukai ...................................... 102
Intercolonial Poliesportivo............ 104
Festa Junina .................................. 106
Movi-mente ................................... 108
NipponFest ................................... 110
Nippon Talk .................................. 112
Boonenkai ..................................... 114
Clube Digital nos 60 anos ............ 116
Diretoria Social ................................ 120
Coral ............................................. 121
Cultura e Artes .............................. 122
Escotismo ...................................... 123
Feminino ....................................... 124
Jogos de Salão ............................... 125
Karaokê ......................................... 126
Melhor Idade ................................. 127
Movimento Jovem ......................... 128
Pesca ............................................. 129
Taikô .............................................. 130
Diretoria de Esportes .................... 132
Artes Marciais ............................... 133
Atletismo ...................................... 134
Badminton ................................... 135
Beisebol e Softbol ........................ 136
Bocha ............................................ 137
Futebol .......................................... 138
Gateball ........................................ 139
Mallet Golf ................................... 140
Natação ......................................... 141
Tênis de Campo ........................... 142
Tênis de Mesa .............................. 143
Voleibol ........................................ 144
Diretoria de Ação Social ................. 146
Administração do Nippon Country Club
Diretoria Executiva ....................... 148
Conselho Deliberativo ................. 148
Superior Conselho Moderador .... 148
Conselho Fiscal ............................ 149
Diretores dos Departamentos ...... 149
Agradecimentos .................................... 150
ANEXO: Caderno de debates entre os
associados sobre o futuro do Nippon
6 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
O Nippon, com 60
anos de história e
caminhando
sempre para o
futuro
E
stamos comemorando neste
ano os 60 anos do nosso Clube,
sem muita festa como o momento
de pandemia ainda exige, mas com
o coração cheio de alegria e orgu-
lho, por fazermos parte da história
de sucesso e superação desta enti-
dade, que veio crescendo a cada
ano, e hoje é o maior clube da
comunidade nikkei das Américas, e
um dos maiores e melhores clubes
do País.
Podemos hoje afirmar, que o sonho
e o objetivo do nosso saudoso
fundador Katsuzo Yamamoto, de
constituir uma entidade onde as
famílias da comunidade nipo-brasi-
leira pudessem se reunir em harmo-
nia para suas atividades esportivas,
sociais e de entretenimento, estão
totalmente materializados. Nosso
segundo presidente, Sadao Kayano,
teve também uma participação
fundamental na construção da
historia do nosso clube, com a sua
competência e dinamismo, realizan-
do uma série de obras importantíssi-
mas para a melhoria da nossa
infraestrutura e incentivando o
trabalho voluntario.
Ressaltamos também, que o sucesso
foi alcançado graças ao trabalho
em equipe, seja nos conselhos
moderador e deliberativo, passando
pela diretoria executiva e, principal-
mente, pelas diretorias
departamentais, que sempre fize-
ram um trabalho voluntário compe-
tente, tanto no atendimento às
necessidades de nossos associados,
como orientando a diretoria para a
correta aplicação dos recursos do
clube em melhorias que sempre
reverteram em benefício dos associ-
ados.
Chegamos aos 60 anos com uma
infraestrutura invejável, com obras
novas e com praticamente todas as
instalações mais antigas ampliadas e
reformadas em todas as áreas do
clube. O nosso maior patrimônio,
que é o ambiente estritamente
familiar entre os associados, sempre
foi preservado e continua intacto,
ou seja, o associado convive entre
amigos, pode deixar seus filhos
usufruírem do parque infantil e da
brinquedoteca, e assim pode partici-
par das atividades esportivas ou
sociais com toda segurança.
Continuamos fazendo um trabalho
de divulgação e preservação dos
melhores valores da cultura japone-
sa (educação, disciplina, honestida-
de, respeito e humildade, além de
artes, culinária, etc.) porque enten-
demos que esses valores são impor-
tantes para a formação das pessoas,
especialmente dos nossos jovens.
Dentro deste objetivo, continuamos
incentivando a participação dos
jovens na vida do clube, através das
escolinhas de esporte, com destaque
para a clínica de tênis, do MOVI
(Movimento Jovem) e da Academia
do Futuro, que durante a pandemia
fez um trabalho extraordinário de
criação e manutenção de um canal
permanente de comunicação do
clube com seus associados, através
de "lives", palestras, cursos, etc.
Para finalizar, podemos afirmar que
apesar da crise econômica
provocada pela pandemia, o Nippon
vai superar estes momentos difíceis
com coragem e segurança financeira,
e vai caminhar sempre firme em
direção ao futuro, sem se desviar do
seu objetivo maior, que foi estabele-
cido pelo nosso fundador e continu-
ará sempre sendo o nosso lema: ter
o melhor local para a sua pratica
esportiva, social ou de entreteni-
mento, em um ambiente familiar e
seguro, com muito verde e ar puro,
longe do estresse do dia a dia.
Valter Sassaki
Presidente do Nippon Country
Club
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 7
Mensagens
M
anifesto minhas sinceras
felicitações ao presidente
Valter Sassaki e a todos os
membros do Nippon Country
Club pela comemoração dos 60
anos de sua fundação no dia 4 de
julho de 2020.
São os valiosos laços interpessoais
entre as duas nações que
compõem o fundamento
importante da estreita relação
amistosa entre o Japão e o Brasil,
nutrida por cerca de 2 milhões de
descendentes de japoneses no
Brasil. Apesar das árduas
dificuldades que os imigrantes e
seus descendentes tiveram de
superar, eles acumularam
esforços diligentemente e têm
realizado contribuições grandiosas
para o progresso do Brasil.
Em especial, reitero meu respeito
ao empenho do senhor Katsuzo
Yamamoto e de todos os membros
que se envolveram na fundação e
no desenvolvimento do Nippon
Country Club, o qual tem
contribuído para fomentar o
intercâmbio entre comunidades
nipônicas por meio do esporte.
Felicitações pelos
60 anos da
fundação do
Nippon Country
Club
Desde que ingressei no Ministério
dos Negócios Estrangeiros do
Japão, tenho me dedicado por
muito tempo aos assuntos latino-
americanos, incluindo aos do
Brasil, e o fortalecimento das
relações com as comunidades
nipônicas sempre foi um tema de
suma importância. Depois de
minha assunção como embaixador
no Brasil, em agosto de 2017,
tenho visitado vários eventos em
todo o Brasil e me engajado no
intuito de fortalecer o intercâmbio
com os descendentes de
japoneses.
Até o momento, visitei o Nippon
Country Club em abril de 2019 e
em fevereiro de 2020. Na 24ª
CONFRA: Brasil 2020, o Vice-
Ministro de Negócios Estrangeiros,
Keisuke Suzuki, participou da
abertura representando o governo
japonês e eu fui assistir aos jogos
também. Tive a oportunidade de
interagir com os atletas e os
envolvidos nesta CONFRA que
reuniu mais de 1,000 pessoas de
11 países e fiquei impressionado
com o entusiasmo de todos.
Atualmente, devido ao impacto do
novo coronavírus, muitos eventos
esportivos foram cancelados ou
adiados. Os Jogos Olímpicos e
Paralímpicos de Tóquio foram
adiados para 2021. Apesar desta
conjuntura, no âmbito de "Do Rio
para Tóquio", continuaremos a
aumentar a cooperação esportiva
entre o Japão e o Brasil em
consonância com as comunidades
nikkeis. Também, como
Embaixador do Japão no Brasil,
pretendo cooperar ao máximo
possível com atividades da área
esportiva de comunidades nikkeis
e juntos agitar.
Encerro minha mensagem
fazendo votos de muita saúde a
todos e desejo um progresso
ainda maior das comunidades
nipo-brasieliras.
Muito obrigado.
Embaixador do Japão no Brasil
Akira Yamada
8 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
C
ongratulo-me com Nippon
Country Club pela
comemoração dos festivos 60 anos.
Sinto-me profundamente feliz e
agradecido pela oportunidade de,
como Cônsul-Geral do Japão em
São Paulo, registrar a minha
homenagem.
O Nippon Country Club foi
fundado com o intuito de incentivar
os esportes e, por meio deles,
promover a socialização da
comunidade como um todo,
independente da distinção entre
nikkeis ou não-nikkeis.
O seu fundador, senhor Katsuzo
Yamamoto, sempre prezou por
valores de boa convivência entre a
comunidade nikkei e a sociedade
brasileira, bem como a harmonia
entre as pessoas e o meio ambiente.
É motivo de grande respeito que
esses princípios sejam mantidos
desde a sua fundação até os dias de
hoje. Graças aos grandes esforços
do senhor Yamamoto e dos
presidentes que o sucederam,
senhor Sadao Kayano e senhor
Valter Sassaki, o clube, que
começou com uma pequena
estrutura composta apenas de uma
pista envolta de mata virgem,
cresceu de tal forma a alcançar a
respeitável posição de maior clube
nikkei das Américas.
O Nippon Country Club também
desempenha um papel fundamental
na promoção dos esportes
populares do Japão, como o
beisebol, o badminton, assim como
das tradicionais artes marciais
japonesas, como o judô, caratê,
aikido e kendo, sendo local onde
muitos atletas começaram as suas
carreiras mundiais. No beisebol, por
exemplo, destaco o time Nippon
Blue Jays de onde saíram atletas que
hoje atuam na Major League dos
Estados Unidos ou mesmo na Liga
Japonesa de Beisebol.
Além do esforço na promoção do
esporte, existe um compromisso
louvável no engajamento social no
qual saliento o Movimento Jovem
Brasil (Movi), com missão de
integrar e capacitar jovens para
atuarem na sociedade como líderes,
além de realizarem atividades
voluntárias.
No início deste ano, o Nippon
Country Club sediou a Confra,
importante evento de
confraternização esportiva de
diversas modalidades que contou
com a participação de 1212 atletas
de países como a Argentina,
Bolívia, Chile, Japão, México,
Paraguai, Peru além do Brasil.
Na abertura dessa ilustre
competição, a Confra contou com a
presença do Vice-Ministro dos
Negócios Estrangeiros do Japão, Sr.
Keisuke Suzuki, que visitou o Brasil
pela primeira vez. Os representantes
do Nippon Country Club e todos os
membros da comissão organizadora
não mediram esforços para a
realização de um evento grandioso e
uma calorosa recepção ao Vice-
Ministro Suzuki, que se sentiu muito
satisfeito em conhecer o clube e
constatar o empenho da
comunidade nikkei.
Vivemos, atualmente, um momento
delicado na história da humanidade
com a disseminação do coronavírus
que tem trazido muitas
preocupações no Brasil. No entanto,
acredito que a comunidade nikkei,
juntamente com a sociedade
brasileira e todo o mundo superará
essa dificuldade.
Para finalizar, formulo os meus votos
de crescente sucesso ao Nippon
Country Club e a todos os seus
colaboradores, desejando que a
continuidade de suas atividades
contribuam cada vez mais para o
desenvolvimento dos jovens e de
toda a sociedade brasileira.
Yasushi Noguchi
Cônsul-Geral
do Japão
60 anos do Nippon
Country Club
Mensagem do
Cônsul-Geral
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 9
Mensagens
N
ippon 60 anos, um
importante legado dos
imigrantes japoneses
Com toda honra
cumprimentamos o Nippon
Country Club pelo 60º aniversário
de fundação.
Reconhecido como um dos
maiores clubes nikkeis da América
Latina, o Nippon é a
materialização de um sonho
acalentado por um grupo de
empresários nipo-brasileiros na
década de 1960 e, hoje,
representa um dos mais
significativos legados da imigração
japonesa.
Ele foi fundado pelo empresário
Katsuzo Yamamoto, em conjunto
com Soichiro Motoie, num
momento em que a comunidade
nipo-brasileira se consolidava na
zona urbana e muitas famílias
passaram a considerar a
possibilidade de se associar a um
clube de campo.
Desse passo inicial, o Nippon
superou cada um dos desafios
transformando-se num local ideal
de convivência para toda a família,
como também de referência para
práticas de diferentes atividades
esportivas e de ações culturais e
sociais.
Ao comemorar o 60º aniversário,
ressaltamos o Nippon tem atuado
intensamente para elevar cada vez
mais o significado desse legado
dos nipo-brasileiros.
Entre as numerosas atividades
culturais, esportivas e sociais,
destacamos aquelas
comprometidas com a formação
de jovens e valorização das ações
de cidadania.
Acompanhamos o desempenho
do Nippon como um importante
centro de divulgação da cultura
japonesa, sempre preocupado em
ampliar essas ações para toda a
sociedade brasileira.
Também, somos testemunhas dos
esforços dispensados para
fortalecer o intercâmbio e a
confraternização com as
organizações nikkeis da América
Latina, tanto por meio do esporte,
como de atividades culturais.
Assim, neste momento festivo de
celebração, manifestamos nossa
admiração pela contínua melhoria
na prestação de serviços, bem
como na ampliação de suas
instalações.
Parabéns ao Nippon Country
Ckub, parabéns à diretoria e seus
colaboradores e aos associados. A
todos, nosso reconhecimento e
orgulho de poder contar com esta
instituição erguida por imigrantes
japoneses e que chega aos 60
anos como exemplo de
excelência! Parabéns.
Renato Ishikawa
Presidente da Sociedade
Brasileira de Cultura Japonesa e
de Assistência Social
Nippon 60 anos,
um importante
legado dos
imigrantes
japoneses
10 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
A
FUNDAÇÃO KUNITO
MIYASAKA tem a satisfação e
honra de cumprimentar o
NIPPON COUNTRY CLUB,
felicitando pela celebração do 60º
aniversário de sua fundação e
pelo inestimável progresso
alcançado nesse período de
tempo, tornando-se no maior
clube esportivo e social nikkei do
mundo, uma façanha talvez
jamais sonhada por seu saudoso
fundador, senhor Katsuzo
Yamamoto, e pelos
administradores que lhe
sucederam na condução dos
destinos da entidade.
Ao ensejo, agradecemos aos
senhores Valter Sassaki,
Presidente, e Koitiro Hama,
Presidente do Conselho
Deliberativo, pela gentileza de
reservarem um espaço para a
inserção de nossa mensagem nas
páginas do livro comemorativo
dos 60 anos de história do Nippon
Country Club, o que fazemos com
muita satisfação e orgulho,
externando votos para que o
Nippon continue trilhando a
senda do desenvolvimento rumo
ao centenário, servindo de elo
cada vez mais intenso de
integração dos nikkeis na
sociedade brasileira, para o
orgulho de todos nós!
Que este livro sirva de bússola
para um futuro ainda mais
brilhante para o Nippon Country
Club. Boa leitura!
São Paulo, setembro de 2020.
Roberto Yoshihiro Nishio
Presidente da Fundação Kunito
Miyasaka
Felicitações da
Fundação Kunito
Miyasaka
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 11
Mensagens
E
stão de parabéns os
associados, funcionários,
diretores e conselheiros do NCC
que comemora 60 anos, com
saúde invejável e equilíbrio social,
econômico e financeiro, apesar da
pandemia de Covid-19 que
causou uma forte retração de
todas as atividades no âmbito
mundial.
Aqueles que conseguem
contribuir para o progresso social
e econômico podem ser
classificados em três categorias:
revolucionários, missionários e
empresários. Entre os três, os
empresários são os que
conseguem atingir seus objetivos
com maior eficiência e menor
custo. O fundador do Nippon
Coutry Club, Senhor Katsuzo
Yamamoto, pertenceu ao terceiro
grupo.
Como empresário, atuou no
comércio exterior, na fabricação de
lâmpadas especiais, além de
lanternas de mão e de outros
produtos manufaturados.
Junto com outro empresário, Engº
Rodolfo Von Rohr e a empresa
Harima Chemical do Japão, foi
pioneiro na produção de goma
resina de pinheiro no Brasil e, que
passou de importador de breu e
terebintina para grande
exportador desses produtos.
Foi pioneiro em muitas coisas.
Atuou ativamente no comércio
exterior e resolveu dedicar vários
anos na conquista do cerrado
brasileiro, quando os governos
brasileiro e japonês, através do
PRODECER - Programa de
Desenvolvimento do Cerrado -,
deu um grande impulso no
desenvolvimento agrícola da vasta
região central do Brasil.
Hoje, graças ao protagonismo de
figuras como Katsuzo Yamamoto,
o Brasil é um grande exportador
de alimentos.
Mas, entre várias realizações,
achamos que a iniciativa do
Senhor Katsuzo Yamamoto de
constituir o NCC foi, a sua maior
obra, tendo como principal
apoiadora a sua esposa Chiyo
Yamamoto. Merecidamente, o
nome dela é lembrado no Colégio
Estadual vizinho ao clube. Katsuzo
Yamamoto e Dona Chiyo não
tiveram filhos, mas a existência do
NCC ao lado da sua residência,
com centenas de crianças e jovens
deve ter proporcionado grandes
alegrias ao casal.
"Mens sana in corpore sano" e que
continue prevalecendo o espírito
empresarial na gestão.
Shigeaki Ueki
Conselheiro da Fundação
Katsuzo Yamamoto
Parabéns, Nippon
Country Club que
comemora 60
anos
12 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 13
14 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
Mudanças sempre nos melhores momentos
stou com 86 anos de idade e tive a
felicidade de, durante 16 anos, estar na
presidência do maior clube esportivo e
social da coletividade nikkei fora do
Japão. Assumi o cargo em 1993, em
substituição ao saudoso amigo Katsuzo
Yamamoto. Herdamos um clube com um
número elevado de associados, muitos
ainda com espírito antigo de colaborar e
não de usufruir. Na época, ainda não
possuíamos suficientes instalações para
receber os sócios com conforto e digni-
dade.
Digo herdamos porque não fiz e não faria
nada sozinho não fossem meus amigos e
abnegados diretores para administrar um
clube com a base consolidada, pronto
para crescer. Isso foi fruto de um traba-
lho competente de toda a equipe anteri-
or, mas, principalmente, de seu funda-
dor. O que ele fez durante mais de três
décadas, ninguém conseguiria fazer. O
Yamamoto era bem japonês, daquele
tipo mandão e ditador. O pessoal tinha
medo dele, mas acima de tudo respeito.
Apesar de nascido no Brasil, também
tenho na formação algumas particulari-
dades do tipo japonês, talvez por isso
até compreendia bem os pensamentos do
Yamamoto.
Conheci Katsuzo Yamamoto em 1958, por
meio do amigo Shigeaki Ueki, que na
época trabalhava com ele. Eu tinha
acabado de me formar engenheiro civil
na Escola Politécnica da Universidade de
São Paulo e possuía uma empresa no
Largo Sete de Setembro, em sociedade
com o arquiteto Nagahisa Mizuki. Naque-
le ano, consegui uma bolsa de estudos
para Okayama, no Japão, terra de meus
pais, e tornei-me o primeiro brasileiro a
usufruir da modalidade naquela provín-
cia.
na época, Yamamoto pensava em
construir um clube, tinha o local para
isso e me pediu para pesquisar sobre o
assunto no Japão. Quando voltei ao
Brasil, ele havia criado o clube, mas
ainda assim me inscreveu entre os cem
fundadores do Nippon Country Club. Eu,
recém-formado em engenharia, e o
Shigeaki Ueki, que tinha acabado de
graduar-se em Direito, éramos os
molequinhos e os pés-rapados do grupo,
que reunia todos os grandes líderes da
comunidade, como Fujio Tachibana
(Banco América do Sul), Gervásio Inoue
(Cooperativa Agrícola de Cotia), Kunihiro
Miyamoto (Cia. Iguaçu de Café),
Yoshikazu Tanaka (Cine Niterói), Mituto
Mizumoto (São Paulo Shimbun) e o
deputado federal Yukishigue Tamura.
No início da vida do clube, toda a orien-
tação jurídica e as providências necessá-
rias foram tomadas pelo Ueki, que na
época era o único a quem Yamamoto
ouvia. Sei que o sonho e o desejo dele
era tê-lo como herdeiro. Mas, desde
aquela época, a sua fulgurante ascensão
na vida política e administrativa nacio-
nal, culminando como ministro das Minas
e Energia e depois presidente da
Petrobrás, tornou impossível e irreal sua
permanência.
Costumo dizer que eu trabalhava para
o Nippon pelo menos dois antes de sua
fundação. Cheguei a fazer duas medi-
ções da área antes da doação oficial.
Depois, Yamamoto confiou a mim o
papel de coordenar um concurso para a
elaboração das construções do clube.
Professores da USP e do Mackenzie
analisaram os trabalhos que concorreram
ao prêmio de 150 mil cruzeiros, muito
atraente na época.
No final, foi escolhido o projeto dos
arquitetos Nagahisa Mizuki, Bellarmino
del Nero e Francisco Petracco. Apesar do
belo projeto, que previa todas as constru-
ções que o clube deveria ter, nada foi
aproveitado daqueles estudos, pois
consideravam-no muito revolucionário
para a época. Era, de fato, um projeto
fora do comum, de tão moderno. A
concepção atual foi feita fora do concur-
so. Os mesmos arquitetos, ganhadores,
fizeram um projeto mais simples, como a
entrada do clube que temos até hoje.
As máquinas estavam moldando as terras
conforme o projeto aprovado, mas os
associados começaram a reclamar,
pedindo a aplicação do dinheiro em algo
que pudesse ser aproveitado rapidamen-
te. Assim, Yamamoto decidiu construir
primeiro um ginásio poliesportivo cober-
to, para que as festas pudessem ser
realizadas no local. Buscando alternativas
mais em conta, ele encontrou um galpão
feito com a estrutura toda em madeira.
Adquirimos peroba no Paraná e construí-
mos, nós mesmos, os grandes arcos de
sustentação da cobertura. Não contrata-
mos nenhuma construtora, fizemos no
braço mesmo. E assim foi, a cada dia,
subíamos um arco, até o ginásio ser
inaugurado em 1962, marcando o início
das atividades do clube. Não por mérito,
mas por sorte, está firme até os dias de
hoje.
Quando assumi a presidência, em 1993,
creio que a transição veio em boa hora.
Não que eu fosse bom ou melhor do que o
Yamamoto, mas o momento era adequado
para mudanças, para o clube ganhar um
fôlego novo. Assim como quando também
entreguei o cargo foi em bom momento,
“Entregamos a
direção do clube
para os mais
jovens, sem dúvida,
bem preparados
para dar
continuidade aos
projetos de
desenvolvimento do
Nippon. Vemos o
futuro com
otimismo e não
nada que o
atrapalhe ou desvie
de sua correta
direção”
Sadao Kayano
E
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 15
porque eu também estava ficando
ultrapassado. O Valter Sassaki é mais
novo, veio com muitas ideias. Costumo
dizer que o Nippon teve seus dirigentes
no momento, na hora e nos locais certos.
Eu, particularmente, recebi um clube
estruturado, dei a solidez que precisava
e o Valter está dando o melhor acaba-
mento.
Em minha gestão elaboramos um Plano
Diretor de obras, executado por três
arquitetos, todos associados do clube.
Alienamos alguns bens, com a concor-
dância de todos, e iniciamos o processo
de ampliação e modernização das insta-
lações do Nippon. O primeiro passo foi o
denominado Núcleo 1, com a piscina
aquecida no térreo e o salão no segundo
pavimento. Depois foi construído o
Ginásio Poliesportivo com três quadras
cobertas para esportes de salão, além de
vestiários e lanchonetes. Seguiu-se o
Núcleo 2, com o atual Grande Salão
Nobre, Departamento Feminino e Sala de
Reuniões.
Enfim, como se percebe, a maioria das
construções foi feita na minha gestão.
Eu era construtor, ficava mais fácil, não
gastávamos tanto dinheiro. As pessoas
falam, "o Kayano constrói barato". Não,
definitivamente. Não contratamos
construtora para fazer absolutamente
nada, fomos nós do Nippon que fizemos,
no braço, com imenso orgulho.
Na área administrativa, criamos os
departamentos para cada modalidade
separadamente. Não coube a mim fazê-
lo, mas a departamentalização veio
naturalmente. O aumento do número de
associados foi criando departamentos e
suas demandas e necessidades. Hoje
temos gateball, mallet golf, pesca, etc.
O único que criamos mesmo foi o Depar-
tamento de Beisebol. Eu praticava o
esporte por brincadeira em Getulina,
interior de São Paulo, onde nasci em
1934.
Criamos a Comissão de Beisebol em 8 de
maio de 1997, sob a direção provisória
do Tadayosi Wada. tínhamos o campo,
adquirido da Cooperativa Sul-Brasil, mas
não atletas. Depois que compramos,
quase sem saber, chegamos à conclusão
de que aquele campo é um dos melhores
do Brasil. Conversei com alguns amigos e
me falaram que não era brincadeira
formar um departamento. Diziam que
levaríamos dez anos para fazer isso. Em
razão disso, pensei na fusão.
Fizemos reuniões com cinco times de São
Paulo. Chegamos à Associação Cultural e
Esportiva Blue Jays e a conversa fluiu
bem. O clube era um dos melhores do
Brasil, tinha jogadores em todas as
categorias, além de uma ampla área em
Itaquaquecetuba. A fusão deu tão certo,
que em 20 anos mandamos uns 20
atletas para a Itália, Japão e Estados
Unidos, inclusive para atuar entre os
profissionais.
Mas para o Nippon chegar à atual estru-
tura foi uma luta. As finanças estão boas
e temos hoje cerca de 6 mil famílias
associadas ao clube, que pagam uma das
taxas de manutenção mais baixas de São
Paulo. Um dos fatores mais importantes
para o sucesso do Nippon, na minha
modesta opinião, é que sempre agimos
como pobres, nunca como ricos. Sempre
fizemos praticamente tudo com a nossa
mão de obra e contamos sempre com a
sorte ao nosso lado.
Entregamos a direção do clube para os
mais jovens, sem dúvida, bem prepara-
dos para dar continuidade aos projetos
de desenvolvimento do Nippon. Vemos o
futuro com otimismo e não nada que o
atrapalhe ou desvie de sua correta
direção. Dentro do possível, continuare-
mos emprestando o melhor de nossos
esforços, para que todos juntos possa-
mos com orgulho dizer que pertencemos
a um dos maiores e melhores clubes do
Brasil.
Continuo à frente da Kobayashi
Habitacional, pois não aguento ficar
parado. Mas deixei os negócios, efetiva-
mente, nas mãos dos meus filhos Letícia,
Fernando e Roberto. Gosto muito do
Nippon e enquanto ocupei a presidência,
passei 90% do tempo dos meus finais de
semana no local ao lado da minha esposa
Rosa. E hoje, sem dúvida, podemos dizer
que estamos em condições de receber
todos os nossos associados, com conforto
e dignidade.
Sadao Kayano
presidiu o Nippon
de 1993 até 2009.
Na sua gestão, o
clube cresceu em
área e em
instalações, e
incorporou a
renomada equipe
Blue Jays de
beisebol
Sadao e Rosa Kayano (direita) ao lado de Koitiro e Yoshiko Hama, e o prefeito de Arujá,
Abel Larini, na inauguração do túnel ligando o terreno da sede do Nippon ao campo de
beisebol
16 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
Gestões sob medida para um grande clube
eu pai, Rokuro Hama, e Katsuzo
Yamamoto eram muito amigos,
conterrâneos da província de Hyogo, na
região de Kansai, conhecida por ser rica
em formar bons comerciantes e empreen-
dedores. Creio que isso os aproximou. O
meu pai recomeçou do nada após a guerra
em 1948, quando abriu uma firma na
região do Mercado Municipal para vender
bombas de irrigação aos lavradores do
Cinturão Verde. Yamamoto, na época,
trabalhava como atacadista de batatas e
cebolas também ali na região.
Conheci o senhor Yamamoto na década de
50 e passei a admirá-lo pela sua capaci-
dade de multiplicar os negócios. Ele, em
pouco tempo, passou de atacadista de
cebolas e batatas a importador de ferra-
gens e depois a industrial de lâmpadas e
de papel, além de atuar em outros
setores, sendo um dos desenvolvedores do
Cerrado.
Meu pai morreu muito cedo, aos 55 anos,
deixando um legado de idealismo e
empreendedorismo, e eu assumi os
negócios da família. Foi uma fase difícil
porque tinha apenas 24 anos e havia
passado para o ano de Engenharia, era
o primogênito de seis irmãos e também
tive que lidar com a responsabilidade de
tocar a Cia. Hama, que vendia principal-
mente equipamentos de irrigação agríco-
la. Após a morte dele, mantive o relacio-
namento com Yamamoto, inclusive tendo
ele participado por um período no Conse-
lho da empresa da família.
Foi por meio desse relacionamento que
Yamamoto incluiu-me no grupo dos
fundadores do Nippon. Lembro-me das
reuniões que ele promovia no Restaurante
do Cine Niterói, na Liberdade, com a
participação de Keijiro Jojima, Soichiro
Motoie, Yoshikazu Tanaka, Michio
Hatakeyama e um grande número de
membros da comunidade japonesa para a
fundação do clube. Eu, juntamente com
Sadao Kayano e Shigeaki Ueki, formáva-
mos o grupo dos mais jovens dos cem
fundadores, que também tinha Keitaro
Yaguinuma, Yutaka Sanematsu e Nobuo
Murakami.
Na época, eu, Sadao e o Ueki fazíamos
parte de um pequeno grupo de cerca de
20 associados do Piratininga, o clube
social da comunidade que promovia
bailes e eventos festivos. Reuníamo-nos
para jantar, fazer pequenas viagens às
montanhas e praias e planejar planos
futuros.
Na primeira visita ao futuro clube,
Yamamoto convidou um grande número
de arquitetos, engenheiros e estudantes
para conhecerem a mata fechada onde se
instalaria o Nippon Country Club, na
região agrícola de Arujá, que se tornou
acessível pela recém-aberta Rodovia
Presidente Dutra.
A principal dificuldade no princípio para
atrair sócios era a inexistência de
benfeitorias para justificar a compra de
títulos. Mas Yamamoto persistiu na
empreitada e foi o líder com visão de
futuro da comunidade nikkei, que rapida-
mente estava melhorando o padrão de
vida. Ele construiu primeiro o ginásio
poliesportivo onde eram realizadas as
festas e os bailes, que começaram a
animar os associados. Assim, a venda dos
títulos foi aumentando pouco a pouco.
A inauguração da piscina olímpica, em
1964, foi um importante marco no
crescimento do clube e os associados
passaram a acreditar no projeto. Nos
primeiros anos a via Dutra ainda era uma
estrada precária que não oferecia nenhu-
ma segurança. Lembro-me que para ir ao
Nippon era necessário cruzar a estrada
para pegar a mão de volta para São Paulo
e entrar em uma rua estreita que ia para o
clube. Ocorreram muitos acidentes nessa
travessia, inclusive com um amigo meu,
Sérgio Dohi, que bateu o carro em uma
manobra no local.
A tática agressiva de Yamamoto, empre-
gando dezenas de corretores para vender
os títulos do Nippon, permitiu ultrapassar-
mos os mil associados rapidamente e a
formação de fundos necessários para a
construção de benfeitorias. Na década de
70 chegou a ter mais de 8 mil títulos
patrimoniais de associados.
O Nippon cresceu em tamanho e qualida-
de, sempre se mantendo à frente das
expectativas dos associados em cada
época. A comunidade japonesa foi elevan-
do rapidamente o padrão de vida, com um
alto índice de aprovação nos vestibulares
das melhores escolas superiores, formando
profissionais que buscavam lazer para a
família num ambiente amplo, sadio e
diversificado no campo, um verdadeiro
paraíso.
Com o conceito de voluntariado foi possí-
vel aumentar o número de departamentos
esportivos, sociais e de jovens, até o
Nippon se tornar um clube diferenciado
com 22 departamentos diferentes prepara-
dos para oferecer atividades e equipamen-
tos para setores competitivos, como
beisebol e softbol, e até ações para a
melhor idade. As conquistas, além das
competições esportivas, foram os vários
padrões quantitativos e qualitativos que
foram seguidamente superados até o
Nippon ser considerado o maior clube
nikkei das Américas e quiçá do mundo.
Acho que o
crescimento do
clube deve ser no
sentido de
aperfeiçoamento
qualitativo
constante de suas
atividades e da
administração e a
adaptação às
rápidas mudanças
que poderão
ocorrer na
sociedade”
Koitiro Hama
M
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 17
É impressionante a mudança ocorrida no
Nippon nesses 60 anos de existência.
Mas o seu sucesso, tenho certeza, é que
o clube soube em cada época atender
adequadamente aos anseios de seus
associados de forma a deixá-los muito
satisfeitos como um lugar ideal para
trazer a família, confraternizar com os
amigos, praticar o seu esporte preferido
ou desenvolver uma atividade social em
um ambiente amplo, acolhedor, próximo
à natureza e com boas instalações.
O segredo para esse sucesso foi o exce-
lente trabalho de suas três gestões.
Katsuzo Yamamoto foi o desbravador, o
líder que soube antecipar o desenvolvi-
mento da comunidade nikkei em São
Paulo e criar um clube que atendesse os
anseios das famílias em constante cresci-
mento. O seu estilo era autocrático, mas
sabia valorizar as boas ideias e soube
aproveitá-las, especialmente a do
voluntariado, com responsabilidade em
cada um dos departamentos, como
sugerida por Álvaro Yamakawa.
Sadao Kayano, escolhido com muito
acerto por Yamamoto para sucedê-lo, foi
outro empreendedor nato que soube
expandir o clube nas dimensões próximas
ao que somos hoje. Como dono de uma
construtora, aplicou o seu conhecimento
de obras para expandir as instalações
com certa facilidade e ampliar a dimen-
são territorial com a compra de terrenos
vizinhos, como o atual campo de atletis-
mo e sede do escotismo, assim como todo
o terreno pertencente à antiga Cooperati-
va Sul-Brasil e terrenos adjacentes ao
campo de mallet golf. A vinda dos inte-
grantes do Blue Jays, no beisebol, trouxe
benefícios para ambos os grupos ao criar
um fortíssimo departamento no Nippon e
possibilitar o uso de todas as instalações
pelos novos associados.
Valter Sassaki, o atual presidente, tem
sido o gestor profissional que o Nippon
necessitava para a sua modernização,
tanto sob o ponto de vista de todas as
instalações como a da estrutura
organizacional e administrativa. Os
associados puderam acompanhar essa
modernização com um misto de orgulho e
satisfação, explicando muito a razão do
alto índice de fidelidade dos sócios, o que
tem nos permitido atravessar a crise
econômica que se instalou depois da
desastrada administração da presidente
Dilma Roussef.
A modernização da estrutura administrati-
va com a introdução de sistemas e pro-
cessos informatizados veio acompanhado
de novas rotinas e todas as instalações
sem exceção tiveram um upgrade acom-
panhando o crescimento econômico e
social dos associados. A aquisição das
instalações completas do antigo clube de
campo do Banco de Tokyo, em condições
excepcionalmente boas, e a concomitante
venda do terreno em Itaquaquecetuba,
onde se praticava parte do beisebol,
também em condições muito boas, trouxe
possibilidades de aproveitamento das
novas instalações muito próximas da sede
do Nippon. A gestão do Valter valorizou
muito a participação dos jovens, com o
crescimento do Escotismo, do Movimento
Jovem e da Academia do Futuro.
Como se vê, o Nippon esteve muito bem
administrado por três presidentes talha-
dos para cada uma das suas fases.
O desafio para o futuro será sempre
encontrar bons dirigentes para adminis-
trar o clube, substituindo muitos vetera-
nos, que deram ao longo de anos a sua
colaboração para o crescimento do
Nippon, por jovens da nova geração.
Acho que o crescimento do clube deve ser
no sentido de aperfeiçoamento qualitati-
vo constante de suas atividades e da
administração e a adaptação às rápidas
mudanças que poderão ocorrer na socie-
dade. Com a mudança cada vez mais
rápida das diversas atividades econômi-
cas, profissões e da gestão e comunica-
ção virtual, necessidade de estarmos
sintonizados permanentemente para as
mudanças necessárias.
Por outro lado, o aspecto do lazer e do
esporte acredito que serão sempre neces-
sários num horizonte previsível. O impor-
tante é que o futuro presidente conti-
nuidade ao Nippon como uma instituição
que orgulha a capacidade dos imigrantes
japoneses e que preserve os aspectos
positivos da cultura dos nossos antepassa-
dos, uma das características marcantes
do Nippon Country Club.
Koitiro Hama foi
um dos
fundadores do
Nippon Country
Club, foi vice-
presidente na
gestão de Sadao
Kayano e é
presidente do
Conselho
Deliberativo
Koitiro Hama, ao centro, na cerimônia de inauguração do ginásio poliesportivo, que leva o
seu nome. O ginásio, antes chamado de Poliesportivo 2, passou por uma completa reforma
e foi inaugurado no final de 2019.
18 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
Educação, o plano para o futuro do clube
enho a grata satisfação de fazer parte
da história do Nippon desde a sua
criação em 1960 . É o maior empreendi-
mento de Katsuzo Yamamoto. Redigi o
primeiro estatuto e lembro-me bem das
primeiras reuniões para o lançamento do
clube, no escritório da Comercial
Yamamoto Ltda, em São Paulo, durante a
gestão do presidente Juscelino
Kubistchek, época em que se iniciou a
ocupação do vasto planalto central com a
construção de Brasília.
No final dos anos de 1950 eu trabalha-
va com Katsuzo Yamamoto. Recém-
formado em Direito, era um dos mais
jovens do grupo de fundadores do
Nippon, mas ainda assim sempre incenti-
vado por Yamamoto. Foi ele, inclusive,
que pagou a passagem para a minha
primeira viagem ao Japão, onde fui
como secretário da primeira missão
econômica do Brasil, sob a chefia do
General Edmundo Macedo Soares e ao
lado de 70 empresários, como José
Ermírio de Moraes (Votorantim) e
Johannpeter Gerdau (Gerdau) e Mário
Amato (Fiesp), entre outros, quando
conquistei vários amigos, do Rio Grande
do Sul ao Amazonas.
Yamamoto era um comerciante visioná-
rio e a sua empresa tinha filiais em
Recife e Rio de Janeiro, além de repre-
sentantes em todas as capitais do Brasil.
Mas ele, viu também a possibilidade de
investir no setor industrial. Primeiro,
criou a Indústria Indianópolis S/A,
localizada em Moema, em São Paulo,
quando as ruas ainda não eram pavimen-
tadas, e passou a fabricar praticamente
tudo o que se importava, como grampos
para cabelo, alfinetes e até lanternas de
mão. Depois, fundou a Lâmpadas
Sadokin. Considerando as dificuldades
da época, ele foi um empresário muito
bem-sucedido.
Repetindo, o maior empreendimento de
Yamamoto foi a criação do Nippon
Country Club. Ele próprio dizia que o
clube era a maior alegria da vida dele.
Mesmo quando a Indianópolis e a
Sadokin passavam por problemas,
dedicou uma atenção muito especial ao
Nippon.
Desde o início, Yamamoto não queria um
clube somente para japoneses e seus
descendentes. Muito pelo contrário. Ele
o vislumbrava como o clube dos brasilei-
ros de todas as origens. Aliás, curiosa-
mente, a primeira sugestão de nome foi
Bonsucesso Country Clube. Depois, veio
a ideia de Japão Country Clube.
Yamamoto disse que viraria um clube
de japoneses. Ele sonhava e projetava
um clube para todos. Daí surgiu o nome
Nippon, sugerido pelo comerciante
brasileiro Luiz Boccalato, denominação
aceita porque para os brasileiros teria
menos conotação com o Japão.
O Brasil é o país com o maior índice de
miscigenação racial no mundo, de acordo
com a Organização das Nações Unidas
(ONU), e está escrevendo uma história
de mistura muito bonita e bastante
humana. Isso não acontece em outros
países. O Brasil tem muitos defeitos,
mas também tem muitas qualidades.
Acompanhei o Yamamoto nas várias
visitas e medições no terreno do Nippon.
Ele doou a área mais nobre para a
construção do clube. No restante do
espaço, ele fez um loteamento e somen-
te para alguns companheiros. Foram
poucos lotes e ele queria vizinhos conhe-
cidos e amigos.
Nos últimos anos de Katsuzo Yamamoto,
que praticamente viveu no clube, todas
as empresas brasileiras enfrentaram
muitas dificuldades e desapareceram.
Mesmo assim, ele deixou um patrimônio
para uma fundação que leva seu nome,
com o objetivo de levar o ensino às
crianças, especialmente aquelas menos
favorecidas. Hoje, a fundação, presidida
pelo engenheiro Sadao Kayano, faz um
importante trabalho social e educativo
junto aos estudantes da Escola Estadual
Chiyo Yamamoto. Ela atende ainda a
outras várias entidades de assistência
social, inclusive um orfanato localizado
no Bosque da Saúde, na capital paulista.
Acredito que o saudoso Katsuzo
Yamamoto, do outro lado da vida, esteja
muito feliz em ver um Nippon forte como
está, com patrimônio fabuloso graças às
gestões competentes e sólidas dos
presidentes que o sucederam. Desde o
início, Yamamoto teve a felicidade de
fazer uma gestão financeira equilibrada.
Seu sucessor, o engenheiro Sadao Kayano,
deu continuidade com bastante sucesso e
agora está nas mãos competentes do
administrador Valter Sassaki. O
patrimônio incalculável do clube se deve à
dedicação de todos eles, apoiados pelos
funcionários, diretores e conselheiros.
Mesmo sendo um dos fundadores, pouco
aproveitei do clube. Casei-me com a
Lúcia em 1963, tendo Chiyo e Katsuzo
Yamamoto como padrinhos. Eles, inclusi-
ve, foram padrinhos dos nossos dois
filhos Thomas e Daniel, batizados na
Basílica de Nossa Senhora Aparecida.
“Seis décadas
depois, não
esperava ver o
clube chegar ao
tamanho que
atingiu. O Nippon
é um clube nota
10. Toda vez que
tenho a
oportunidade de
visitá-lo, fico
admirado com
tamanha beleza e
suas instalações”
Shigeaki Ueki
T
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 19
Ausentei-me de São Paulo de 1964 a
1985, período em que fui assessor do
ministro Paulo Egydio Martins no governo
Castelo Branco, depois fui conselheiro da
Organização dos Estados Americanos
(OEA) em Washington, diretor da
Petrobras no governo Garrastazu Médici,
ministro de Minas e Energia no governo
Ernesto Geisel e presidente da Petrobras
no governo João Figueiredo. Vivia mais
em Brasília, Washington e Rio de Janeiro
do que em São Paulo. Mesmo depois de
1985, como consultor de várias empresas
no exterior, tive pouco tempo para ficar
na capital paulista.
Temos poucos clubes no Brasil que
completam 60 anos, com o equilíbrio
financeiro como o que vemos no Nippon.
A maioria está passando por sérios
problemas e em casos mais extremos,
fechando as portas. Acho fundamental
que tão importante quanto falar das seis
décadas que passaram, é pensar o que o
clube pode fazer para os próximos 60
anos.
Mentalidade em corpo são para todos
os associados do clube. Além de ativida-
de social e esportiva, o Nippon deve
começar a se preocupar com a vizinhan-
ça e voltar os olhos para a população
mais sofrida do país, oferecendo, por
exemplo, mais preparo à educação
básica para abrir oportunidades em um
mundo novo. Toda vez que houve um
grande evento, como o que estamos
vendo com a pandemia, o mundo se
transformou. Surgiram lideranças, novas
hegemonias internacionais e ocorreram
mudanças no quadro social.
Hoje, claramente, o que vemos é que os
continentes asiático e oceânico estão
dando uma verdadeira lição à Europa e
ao continente americano. Vejam como a
China, Nova Zelândia, Coreia do Sul,
Japão e outros países estão atenuando
competentemente a pandemia. No
primeiro trimestre de 2020, o único país
que cresceu foi a China. Todos os demais
tiveram quedas e não foram pequenas.
Nesse cenário, a Ásia e Oceania vão
crescer. O Brasil, infelizmente, não vai
nada bem por causa das lideranças
políticas e do nível cultural do nosso
povo.
Nesse novo mundo, o Nippon poderia
contribuir na parte educacional, ensinan-
do aos jovens três ferramentas básicas
para enfrentar a vida: ensinar a língua
portuguesa e inglesa, a matemática e a
ciência da computação. Assim esperamos
oferecer melhores condições para que
eles possam enfrentar a vida. Pesquisas
apontam que no Brasil apenas 68% dos
jovens terminam o ensino médio e 32%
não estudam e nem trabalham. Esses são
os piores índices da América Latina.
Queremos que isso não aconteça com os
alunos da escola Chiyo Yamamoto. Por
isso, precisamos ajudar as crianças no
entorno do Nippon e ele pode ser um
grande parceiro da Fundação Katsuzo
Yamamoto para esse objetivo, pois
temos como patronos a mesma figura.
Poderíamos, com uma parceria da Funda-
ção Katsuzo Yamamoto com o Nippon,
estudar a criação de uma escola
profissionalizante, mesmo modesta, para
ensinar, entre outras coisas, aulas de
mecânica, eletrônica, culinária, confec-
ções, etc., mesmo com poucos alunos,
dando oportunidade a eles para encontra-
rem emprego com facilidade. No Brasil,
somente 8% dos alunos do ensino médio
estão em cursos profissionalizantes,
enquanto que no mundo desenvolvido a
média é de 30%. Ou seja, estamos
preparando uma geração sem profissão e
sem futuro. Infelizmente, o capital
humano do Brasil é um dos mais baixos
do mundo. Os associados do Nippon são
brasileiros privilegiados e por isso acho
que têm a obrigação social de ajudar os
nossos vizinhos menos favorecidos.
Seis décadas depois, não esperava ver o
clube chegar ao tamanho que atingiu. O
Nippon é um clube nota 10. Toda vez que
tenho a oportunidade de visitá-lo, fico
admirado com tamanha beleza e suas
instalações. Aqueles arbustos que vi
pequenos, hoje são árvores frondosas. A
piscina simples de ontem, hoje é um
complexo aquático. Quando vou ao clube
e vejo aquela multidão de pessoas
fazendo piquenique e praticando espor-
tes, bate muita saudade dos velhos
tempos. Mas fico feliz ao ver que, acima
de tudo, o sonho do Yamamoto foi
realizado.
Shigeaki Ueki foi
um dos
fundadores do
Nippon e o
redator do
primeiro Estatuto
do Clube. Foi
Ministro das Minas
e Energia na
gestão do
presidente
Ernesto Geisel
Shigeaki Ueki discursa na homenagem a Tetsuo Okamoto, primeiro medalhista olímpico de
natação do Brasil, na ocasião da inauguração da piscina aquecida, em julho de 1996.
20 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
A chave para o futuro está na inovação
“Os gestores
precisam estar
sempre atentos
para as mudanças
pelas quais o
mundo passa e,
cada vez mais
rapidamente. Com
elas mudam
também os anseios
e as expectativas
dos associados”
Hiroyuki Sato
S
ou sócio do Nippon desde a segunda
campanha da venda de títulos, logo após
a fundação em 1960. Tornei-me, para ser
mais preciso, um associado em 1965. Foi
o ano em que eu havia regressado do
Japão depois de cumprir o período de
bolsa oferecida pela província de
Okayama aos descendentes de seus
cidadãos emigrados para o Brasil. Sou
um filho de japoneses, com orgulho,
nascido em Paraguaçu Paulista, no
interior de São Paulo.
A experiência de ser bolsista no Japão
foi interessante, apesar da grande
dificuldade que tive que enfrentar como
aluno estagiário na Faculdade de Direito,
por causa de língua (no Brasil, fiz a
Faculdade de Direito na Universidade de
São Paulo). Mas graças à paciência de
dois professores muito atenciosos,
consegui acumular bons conhecimentos
sobre o Direito japonês enquanto trans-
mitia a eles noções de como funcionava
a justiça no Brasil. Se o estudo das leis
japonesas não se desenvolveu muito
bem, o maior mérito da bolsa foi o de
ter vivido quase um ano com os japone-
ses, entendendo a sua cultura, seus
hábitos e costumes.
Viajei por quase todas as regiões (pelas
quatro principais ilhas), aperfeiçoei o
meu conhecimento de japonês (cheguei a
ler matérias mais simples de jornais e
revistas), o que muito me valeu na
carreira que iria completar na Howa, no
Brasil. Interessante que, por causa das
viagens, os funcionários do Kenchô (sede
do governo da província) responsáveis
pelos bolsistas perguntavam, fazendo
trocadilho: se eu era um bolsista - um
ryugakusei, ou um yuugakusei, um
estudante passeador.
Na época, conhecia Sadao Kayano,
que fora meu sempai (veterano) e um
dos dois primeiros jovens nisseis a
participar da iniciativa inédita, até
então, efetuada pelo governo de
Okayama. Além desse fato, como traba-
lhava na empresa de capital japonês, a
Howa (que produzia máquinas para
tecelagem e onde trabalhei de 1962 a
1992), conhecia também o Katsuzo
Yamamoto e outros fundadores do
Nippon Country Club.
Apesar de ser associado do então Clube
de Regatas Tietê, em São Paulo, sendo
funcionário de uma empresa de origem
japonesa e tendo a experiência da bolsa
de estudos no Japão, sentia mais afini-
dade com um clube fundado na comuni-
dade nikkei, o que acabou por me levar
a adquirir um título do Nippon. Confesso
que essa decisão ocorreu mais por
impulso, até porque o clube na época
oferecia poucas alternativas de lazer.
Tanto é verdade, que somente passei a
ser frequentador assíduo depois que me
casei com a minha esposa Emília, em
1969.
Para quem adquiriu o título na segunda
campanha, não nem como comparar o
que era o Nippon na época com o nosso
clube hoje. Como se sabe, ele foi criado
em uma área doada por Katsuzo
Yamamoto sobre a qual se plantou a
semente do sonho, de erguer o primeiro
e grande clube de esportes e lazer,
preenchendo uma lacuna de que ressen-
tia a comunidade nikkei - havia o
Bunkyo, os kenjinkais, os seinekais, mas
eram mais associações voltadas às
atividades culturais e de confraterniza-
ção, com pouca ou nenhuma atividade
envolvendo a família. Lembro-me do
Yamamoto falando dos grandes clubes de
São Paulo, como Pinheiros e Monte
Líbano, citando como referências para o
Nippon.
Fiquei algum tempo sem ir ao Nippon
após compra do título, mas voltei a
frequentá-lo com o nascimento dos meus
filhos Cristina, Carlos e Maurício no
começo dos anos 70. A principal motiva-
ção em usufruir do clube era o ambiente
de segurança, tranquilidade e de confra-
ternização que ele proporcionava. Sem o
clube, quem vive numa grande metrópole
como São Paulo, apesar das opções de
lazer existentes, não teria oportunidades
de ter um círculo de amigos como o que
tenho no Nippon. Praticar uma ou mais
modalidades de esportes ou de atividades
sociais é uma outra vantagem que so-
mente é possível numa agremiação como
o nosso clube.
Fui convidado para integrar a diretoria do
Nippon pelo Katsuzo Yamamoto. Pode ser
que ele tenha se lembrado de mim por
causa das sugestões que costumava fazer
no sentido construtivo, é claro. Prefiro
estar convencido de que fui convidado
para colaborar na gestão do clube e não
para neutralizar um "contestador". Como,
ao longo da minha vida estive tanto na
posição de mero usuário de serviços,
como de gestor de serviços, entendo que
convidar um associado muito reclamador
para compor a diretoria é uma técnica
que não é muito ética, mas resolve.
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 21
Hiroyuki Sato foi
diretor de sede, e
depois secretário-
geral por várias
gestões.
Atualmente, é
membro do
Superior Conselho
Moderador,
Secretário Geral e
Diretor Jurídico
Hiroyuki Sato é o primeiro à esquerda, ao lado de Koitiro Hama, na comemoração do 20°
aniversário do Nippon Country Club, em 1980.
Na prática, sempre fui um sócio muito
colaborativo. Fazendo uma autoanálise,
confesso que sou muito observador e não
gosto de deixar passar quando vejo
alguma coisa imperfeita se ela puder ser
corrigida por mim ou por alguém que
seja responsável pela imperfeição. Por
causa disso, estive em situações nada
confortáveis diante da reação de certas
pessoas que me chamaram de "xereta"
ou de "importunador". No caso de um
clube como o Nippon, ele está sempre
em obra, numa melhoria contínua e, por
isso, é muito fácil apontar-se imperfei-
ções ou pontos que podem ser melhora-
dos, aperfeiçoados.
Lembro que a diretoria se reunia quando
necessário mediante convocação e o
fazia em um restaurante pela falta de
local adequado na gerência de São Paulo.
Ou seja, comer não era o objetivo, mas
um meio para se ter um local. É claro
que o almoço ou jantar ocorria depois de
esgotados os assuntos da pauta, mas a
reunião era sempre um acontecimento
agradável porque sempre transcorria
num clima de cortesia e harmonia.
Em minha chegada à diretoria, mudei a
rotina administrativa do Nippon. Era o
que eu fazia em meu trabalho na Howa.
Assim que Sadao Kayano assumiu a
presidência, em 1995, fui alçado à
condição de secretário-geral, cargo que
ocupo até hoje. Na gestão dele passamos
a produzir atas em nossas reuniões, em
substituição aos simples registros, e
tornamos o estatuto mais abrangente,
que vigora até os dias de hoje. O siste-
ma de atas que implantamos funciona
verdadeiramente como uma grande
memória para o Nippon e fico feliz ter
contribuído e ainda contribuir com minha
experiência administrativa.
Hoje, após mais de cinco décadas no
clube, faço um balanço extremamente
positivo. Os nikkeis precisavam, no
passado, ter serviços e lazer à disposi-
ção. E com orgulho vemos que o clube
transformou-se na maior agremiação do
país em nossa comunidade. E isso se
deve muito a promover uma entidade
aberta e democrática, que defende a
integração com a sociedade por meio de
atividades sociais, culturais e esporti-
vas.
Meus filhos Carlos e Maurício têm as
suas famílias e seus círculos de amizade
próprios e são associados de clubes em
São Paulo. A minha filha Cristina mora no
exterior e vem para o Brasil de tempos
em tempos. Eles não frequentam mais o
Nippon. Eu e minha mulher Emília somos
ainda frequentadores assíduos, se é que
posso assim me qualificar por estar
todos os domingos, jogando mallet golf
e, às vezes, tênis.
No mallet, sou bastante assíduo, incluin-
do as competições do torneio da Federa-
ção Paulista da modalidade (que são
realizadas nas sedes das associações de
várias regiões, inclusive no Nippon).
Acho que sou um atleta de nível médio
por estar classificado, pelo ranking da
federação, na categoria "A" da classe dos
Seniores, mas peco pela falta de regula-
ridade - às vezes vou bem, outras não.
Sou da opinião de que em qualquer
empreendimento, a chave para o sucesso
está na inovação. Isso significa que as
iniciativas que priorizam a inovação não
ficam apenas no conforto do comodismo,
do "deixa como está para ver como fica".
Os gestores precisam estar sempre
atentos para as mudanças pelas quais o
mundo passa e, cada vez mais rapida-
mente. Com elas mudam também os
anseios e as expectativas dos associa-
dos.
É difícil predizer como será o Nippon
daqui a 10 ou 20 anos, mas se mantiver-
mos a diretriz no sentido de o clube
atender sempre o desejo, o anseio dos
seus associados, não haverá tropeços no
caminho. Mas fico feliz em fazer parte de
uma diretoria preocupada com o futuro
do clube e que atua estrategicamente
para manter-se viva nesses novos tem-
pos.
22 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
arei 84 anos de idade no dia 5 de
dezembro. Nasci no pequeno município
de Cafelândia, no interior de São Paulo,
região próspera e marcante para a
imigração japonesa no Brasil. Posso dizer
que sou um dos sócios mais antigos do
Nippon Country Club. Meu título é o de
número 2.040. Integro o clube desde os
anos 60, mas passei a frequentá-lo
mesmo a partir de 1978, ou seja, quase
duas décadas depois. Não a frequen-
tar, como também a envolver-me direta-
mente com as questões administrativas,
a convite do próprio presidente da
época, Katsuzo Yamamoto. Como ele
mesmo dizia, eu enxergava o Nippon
como uma empresa e a minha segunda
casa.
Passei um longo tempo longe do clube em
razão dos negócios. Fui um empresário
de destaque na zona leste de São Paulo.
Tinha uma construtora, postos de gasoli-
na, agência de automóveis, serigrafia,
distribuidora de bebidas, escritório de
advocacia e imobiliária em sociedade
com 50 sócios, tudo ali na região de
Itaquera O DNA empreendedor é uma
influência do meu pai Kenichi Yamakawa,
imigrante que atuou como agricultor,
granjeiro e dono de olaria, até tornar-se
preletor da Seicho-no-Iê.
Como cresci muito nos negócios, fui
perseguido por bandidos durante déca-
das. Não foi fácil. Convivi de perto com
assaltos, tiroteios, mortes, sequestro,
tudo o que era horrível aconteceu comi-
go. Tinha muitos sonhos, mas essa
violência desmoronou a minha vida.
Vivia angustiado, abalado e estressado.
Depois de tantos episódios com bandidos
e oito cirurgias, inclusive no coração,
repassei as funções diretivas para os
meus três filhos, Solange, Fábio e
Marcos, que tocam os negócios hoje.
Resolvi dar um basta em 2000. Sumi do
mapa e preferi conviver no anonimato.
Hoje, graças a Deus ainda estou lúcido e
saudável, tenho uma religiosidade muito
forte e ela sempre me salvou. Sou um
homem de fé, ainda mais agora em
outra fase crucial que vivemos com a
pandemia da covid-19.
No final dos anos 70, para relaxar um
pouco, comecei a frequentar o Nippon
para fazer esportes. Quando o conheci,
ainda pelos anos 60, não havia nada
de atraente no local. Era um clube de
campo em formação e como não era
esportista, não via nada ali que pudesse
ser útil para mim. Mas despertei para a
prática esportiva. Comecei brincando
com o tênis e acabei gostando. Pratiquei
essa modalidade por 30 anos.
Na época, meus filhos eram nascidos.
Na verdade, arrastavam raquetes. O
caçula Marcos, extremamente habilido-
so, por muito tempo foi o número 1 do
tênis do Nippon. Aqui em casa, todos
foram esportistas. A minha mulher Élia
Yamakawa também foi campeã. Aliás, o
craque da família é ela, que deve ter
mais de 200 troféus na sala, e em 2010
foi eleita a Melhor Jogadora pela Federa-
ção Paulista de Tênis. Eu não chego nem
na metade dessas conquistas.
Aliás, ainda quando jogava tênis, atuei
durante uns quatro ou cinco meses à
frente de um grupo para formarmos uma
diretoria no departamento com 67
membros, contra tudo e contra todos.
Esse número, lembro bem, acabou assus-
tando até mesmo a diretoria central, que
reunia na época somente 11 diretores de
acordo com o estatuto. Em razão disso,
costumava levar broncas do saudoso
Katsuzo Yamamoto, que me dizia para
não formar um outro clube dentro do
próprio clube, tamanho era o destaque do
grupo de tenistas.
Naquela época, o departamento tinha
mais ou menos 400 jogadores, mas
estávamos órfãos. Me senti responsável
em organizar a desorganização dos
departamentos, não havia uma estrutura.
Também ganhei a confiança do
Yamamoto. Creio que vivi o momento
mais turbulento e crítico do Nippon. A
Diretoria de Esportes caiu nas minhas
mãos, pois todos os departamentos
estavam desativados. Os únicos que
funcionavam, ainda assim mais ou
menos, eram os de rúgbi, gateball e
futebol. Os demais tivemos que reorgani-
zar e reativar. Foi um trabalho difícil,
mas graças a Deus deu tudo certo.
Depois do tênis, passei a jogar mallet
golf, esporte que conheci acidentalmente
em 2002. Gostei tanto dele que encampei
o projeto para a criação do Departamento
de Mallet Golf no Nippon e posteriormen-
te atuei nos projetos para a construção
dos campos. Em novembro de 2013, tive
a felicidade também de inaugurar a nossa
sede oficial. Assim, posso garantir, sem
titubear, que temos a melhor
infraestrutura e os melhores campos
entre as mais de 30 instalações da
modalidade no Brasil.
Hoje sou o conselheiro no departamento
e ainda um contumaz colaborador. Guar-
Estarei sempre apoiando as novas lideranças do Nippon
F
Álvaro Ideo Yamakawa
“Em quase seis
décadas de clube,
criei uma grande
paixão por esse
local. Fico feliz de
ver que está nas
mãos de gente boa e
competente. Quero
vê-lo crescer ainda
mais e torço para o
despontamento de
novas lideranças.
Isso significa que o
futuro do clube,
que nasceu gigante,
é promissor”
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 23
do, como boa lembrança, a conquista do
tricampeonato por equipes do Brasileiro
de Mallet Golf, em 2012, 2013 e 2015.
Individualmente, também guardo com
carinho o troféu de vice-campeão nacio-
nal em 2005. Lembro ainda que em 2018
ganhei o título de Dirigente do Ano pela
Federação Paulista na Câmara Municipal
de São Paulo. Até nome de torneio acabei
ganhando. Foi mais pelo incentivo, mas,
acima de tudo, fico feliz por ter contri-
buído com o desenvolvimento desse
esporte no país.
Devo o sucesso dessa gestão nos espor-
tes em razão da experiência adquirida no
mundo dos negócios. queria contribuir
com a diretoria, jamais busquei conflito
com as pessoas. Talvez por essa razão eu
integre as gestões diretivas do Nippon
mais de três décadas. Fui diretor do
Departamento de Esportes nas gestões
de Katsuzo Yamamoto e Sadao Kayano. A
convite deste último, também estive à
frente da Comissão de Sindicância.
Conheci o Nippon em todos os detalhes,
com a palma das mãos. Nas atas das
assembleias ordinárias meu nome consta
em praticamente todos os registros, pois
sempre fui muito assíduo. Apresentei
inúmeras propostas e ideias nessas
assembleias (que são importantes
oportunidades para os associados) e
muitas delas foram colocadas em práti-
ca.
Como membro da diretoria, é natural
que meu nome, em algum momento do
passado, tenha sido ventilado como
candidato à presidência. E até tive essa
oportunidade em duas ocasiões, quando
meus amigos Sadao Kayano e Valter
Sassaki assumiram o comando. Mas
nunca trabalhei almejando cargos e
sempre procurei a paz e a harmonia.
Hoje, fico extremamente feliz por sabe
que, de alguma forma, contribuí com o
crescimento do clube.
O Nippon, graças à grandiosa obra de
Yamamoto, seu sucessor Kayano, que deu
um salto de qualidade, e ao atual presi-
dente, Valter Sassaki, eficiente e com
abnegada competência, cresceu. É
fundamental reconhecer a paixão deles e
de mais de cinco centenas de voluntári-
os, que são a grande razão do sucesso do
clube.
Em quase seis décadas de clube, criei
uma grande paixão por esse local. Fico
feliz de ver que está nas mãos de gente
boa e competente. Quero vê-lo crescer
ainda mais e torço para o despontamento
de novas lideranças. Isso significa que o
futuro do clube, que nasceu gigante, é
promissor. chegamos a 8 mil famílias
associadas e hoje temos cerca de 5 mil,
mas a qualidade melhorou muito, acom-
panhando a evolução do mundo.
Com certeza o Nippon é o maior clube da
comunidade nipo-brasileira em todo o
país e nas Américas. E temos que manter
essa característica oriental. O Brasil é
formado por várias raças, principalmente
em São Paulo. Todas elas devem contri-
buir para a cultura brasileira, que ainda
está em formação. Herdamos dos nossos
pais e avós a responsabilidade, trabalho,
educação, respeito e a qualidade em
todos os sentidos. Precisamos inserir as
partes boas da cultura japonesa à brasi-
leira.
Cabe a nós, e as novas lideranças, essa
tarefa de multiplicarmos essa cultura.
Com os voluntários avançamos e precisa-
mos convidar os associados para partici-
parem dessa transformação também.
Todos têm amor pelo Nippon, hoje
reconhecido nacional e internacionalmen-
te. Formamos famílias de tenistas, de
beisebolistas, de futebolistas, etc., para
crescermos ainda mais fortes.
Graças a Deus, a administração do clube
sempre trabalha com saldo positivo em
caixa. A atual diretoria é muito compe-
tente, responsável acima de tudo, e que
sempre respeita o limite. Com ou sem
crise, as novas lideranças precisam estar
prontas para a continuidade dessa
trajetória. Eu, particularmente, estarei
sempre apoiando as novas lideranças do
Nippon.
Álvaro Yamakawa
foi diretor de
esportes nas
gestões de
Katsuzo Yamamoto
e Sadao Kayano,
foi vice-
presidente e
atualmente é
membro do
Superior Conselho
Moderador e
vice-presidente
Álvaro Yamakawa recebendo
homenagem na Câmara
Municipal de São Paulo, através
do Vereador Aurélio Nomura,
indicado pela Federação
Paulista de Mallet Golf como o
mais dedicado dirigente e
atleta de 2018
Álvaro Yamakawa ao lado do saudoso ex-
presidente da Federação Paulista de Mallet Golf,
Dumond Oishi, que era sócio do Nippon também
24 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
mês era setembro. O ano,1970. Lem-
bro-me bem quando estive pela primeira
vez no Nippon Country Club. tinha
algumas referências, mas nunca o havia
visitado antes. Fiz o contato para
conhecê-lo e foi amor à primeira vista.
Naquele tempo, tínhamos alguns clubes
na comunidade nipo-brasileira, como o
Coopercotia, Anhanguera e o Piratininga,
que nos proporcionavam algumas ativida-
des esportivas, culturais e sociais.
Recordo-me bem da piscina do Nippon
quando cheguei com a família. A grande
era a minha preferida e as crianças
ficavam na menor. À época, tinha
quatro dos meus filhos (Márcio Massao,
Meire Emy, Líria Tomie e Nanci Yae - a
caçula Marli Kimie nasceu em 1972).
Havia também o ginásio e as quadras,
mas ainda não existia o Salão Nobre,
construído muito tempo depois.
As atividades esportivas do Nippon na
década de 70 não eram muitas. O futebol
e o tênis, além do voleibol, eram os
esportes mais praticados, sem dúvida.
Outras modalidades foram acrescentadas
ao longo dos anos, mas nunca cheguei a
fazer nenhuma delas. Na verdade, até
aproveitei muito pouco do que o clube
oferecia, pois elegi-me deputado estadual
na Assembleia Legislativa de São Paulo
pela extinta Arena em 1971.
E como deputado estadual permaneci por
seis legislaturas, estando no seleto grupo
dos cinco parlamentares mais longevos
na Assembleia Legislativa. E, certamen-
te, em todas essas vitoriosas campa-
nhas, sempre tive muitos eleitores entre
os associados do Nippon. Além do traba-
lho parlamentar, como advogado e
contador, tinha (e ainda tenho) minha
empresa em São Paulo, hoje sob o
comando do meu primogênito. Mesmo
diante de tanta correria, e da agenda
sempre apertada, procurei estar próximo
do clube. Deus nos deu tempo e vida,
assim, sempre que possível, em qual-
quer convocação da diretoria, onde
cheguei a convite do presidente Sadao
Kayano, eu estava lá.
Junto com o amigo Kayano sou membro
do Conselho Moderador. Assim, pelo
menos uma vez por mês estava presente
nos encontros dos diretores. Também
participava das reuniões do Conselho
Deliberativo, onde procuro auxiliar, até
hoje, como membro vitalício, no aspecto
jurídico. Sempre dou meus palpites de
olho sempre em proporcionarmos
melhorias para o clube.
Todas as diretorias que conheci e convi-
vi, formadas por pessoas que amam o
clube, foram muito boas. Cada um dos
presidentes, no seu respectivo tempo,
trabalhou grandemente para melhorar o
Nippon. Sadao Kayano, por 16 anos, e
agora o Valter Sassaki desde abril de
2009, empenharam-se sempre, com o
apoio incondicional de diretores voluntá-
rios, em fazer o melhor possível para
atender todas as necessidades e expecta-
tivas dos associados.
Na gestão do Kayano o clube cresceu, na
do Valter também. E é inegável a impor-
tância do Nippon no convívio da
integração Brasil-Japão em vários aspec-
tos, seja no esportivo-cultural, com o
futebol e o beisebol, além do Nippon Fest
e Undoukai, quanto no político. Os
prefeitos de Arujá, independentemente
de quem seja, sempre estão presentes
nas principais atividades do clube, assim
como parlamentares da comunidade nipo-
brasileira e os representantes do governo
japonês no país.
Desde que a segunda e a terceira gera-
ções dos imigrantes japoneses começa-
ram a ganhar posições de destaque na
sociedade, ouvi muitos rumores de que
em 50 ou 100 anos as entidades nipo-
brasileiras desapareceriam, pois teríamos
filhos, netos e bisnetos (meus pais
Yasuishi e Tomie Shimomoto eram da
província de Wakayama e chegaram ao
Brasil no Montevideo Maru no dia 13 de
fevereiro de 1931) que não falam mais a
língua e nem entendem a cultura japone-
sa. Mas digo que a comunidade nikkei
nunca vai desaparecer, mesmo filhos,
netos e bisnetos não entendendo o
japonês e falando português, espanhol,
italiano ou inglês. Ser japonês está na
essência e nos valores das pessoas.
O Nippon é um exemplo perfeito para
O
“Mais do que
boas histórias,
do Nippon
guardo bons
amigos, a
maioria deles
atuando comigo
na diretoria e
nos conselhos do
clube”
Integração Brasil-Japão pelo esporte e a cultura
Hatiro Shimomoto
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 25
essa constatação. O clube nasceu pelo
idealismo do imigrante japonês Katsuzo
Yamamoto com o objetivo de ser um
local para brasileiros e outras etnias.
Mas prevalecem os usos e costumes
nipo-brasileiros. A essência, por meio da
valorização da cultura nipônica, foi
mantida. Por essa razão, os novos
sócios, mesmo os não-nikkeis, acabam
se acostumando e adotando a cultura
japonesa, até mesmo em práticas
esportivas, como o beisebol e o gateball.
Orgulha-me em ver tamanho crescimento
do Nippon. Tudo isso é fruto das gestões
competentes que sempre tivemos. Duas
grandes conquistas ocorreram recente-
mente. Com Sadao Kayano compramos o
campo da Cooperativa Sul-Brasil. Agora
com o Valter Sassaki, adquirimos as
instalações do Banco de Tokyo.
mesmo com um caixa saudável o clube
conseguiria fazer o que havia planejado
ou se deu ao luxo de operar ações de
tamanha magnitude.
A existência de um hotel, de categoria
quatro estrelas, para que as pessoas que
moram mais longe possam passar um
fim de semana mais tranquilo, é de um
conforto elogiável ao associado.
tentei fazer uma reserva algumas vezes
no local, mas nunca tive sucesso, pois
sempre é muito requisitado, o que exige
a análise para um plano de expansão
local em breve.
Mais do que boas histórias, do Nippon
guardo bons amigos, a maioria deles
atuando comigo na diretoria e nos
conselhos do clube. Além das reuniões,
que faço questão de estar para aprova-
ção de contas e discussão de temas
relevantes, tenho buscado acompanhar
as grandes festas, como Nippon Fest,
Undoukai e o Boonenkai. O clube é como
uma extensão da minha família e da
minha casa.
À exceção da Emi, que joga mallet golf,
os filhos, depois de casarem, não usufru-
em mais do clube. Mas a história da
família no Nippon está representada
pelas mudas de plantas que tenho leva-
do. Gostaria muito de saber onde está
plantada uma árvore que trouxe da
África. A muda estava em minha casa,
mas ficaria muito grande em meu quintal
e resolvi doá-la ao clube.
presenteei o Nippon com mais de cem
mudas, inclusive de Sakaki (Árvore de
Deus), uma árvore sagrada do Japão,
Hatiro Shimomoto
foi deputado
estadual de São
Paulo por seis
legislaturas desde
1971 e foi
deputado
constituinte
estadual em 1989.
É membro do
Superior Conselho
Moderador
Título de sócio do Nippon Country Club de novembro de
1970
Hatiro Shimomoto, Sadao Kayano, Valter Sassaki, Roberto Sekiya, Shinji Yonamine e
Alvaro Yamakawa na Festa Junina de 2010
cujos ramos são muito utilizados nas
cerimônias xintoístas. Gostaria de saber
onde elas estão plantadas para contem-
plar a beleza delas, que costumam
crescer cerca de 2 metros de altura. No
Brasil, não quem forneça essa árvore.
Hoje, não atuo mais como parlamentar,
mas estou trabalhando e lançando vários
livros, que abordarão a minha trajetória
pública na Assembleia, a minha vida
social (em japonês), de autoajuda
(Pílulas do Sucesso) e a evolução históri-
ca da bandeira brasileira. três anos
também estou à frente dos movimentos
de Valorização do Político Nikkei e da
Valorização das Entidades Nikkeis. Pois,
como costumo dizer, temos que ter
orgulho em sermos brasileiros, filhos e
netos de japoneses.
26 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
exemplo do ex-presidente Sadao
Kayano também nasci na região da
Noroeste 78 anos. Sou de
Guaimbê, na região de Lins, no interi-
or de São Paulo. Praticamente apenas
nasci mesmo, pois com cerca de 6
anos minha família se mudava para
a região da Sorocabana e, posterior-
mente, para Tambuara, na região de
Paranavaí, no Paraná. Levávamos a
vida plantando café.
Sou filha de imigrantes japoneses
cujas famílias adotaram a lavoura para
vencer no Brasil. Meu pai era da
província de Ishikawa e minha mãe,
de Kumamoto. Vieram solteiros e
contraíram matrimônio por meio do
tradicional casamento arranjado
(omiai), muito comum na comunidade
japonesa em seus primórdios no país.
Comecei a frequentar a escola muito
tarde, apenas aos 11 anos idade. Mas
nunca repeti de ano, graças a Deus.
Acabei desembarcando em São Paulo
aos 15 anos, em 1958, para morar com
minha tia na Vila Guarani e trabalhar
como doméstica em casas de família.
Casei-me com meu marido Yoshio em
1968. Conhecemo-nos em 1966, quan-
do ele veio entregar uma máquina no
Laboratório Bozzano, onde eu traba-
lhava. Eu atuava na área de perfuma-
ria e ele era sócio com meu cunhado
Satoshi na Wada Máquinas Ltda (a
companhia fazia máquinas para os
laboratórios). Comecei muito nova na
empresa, mas logo cheguei à sub-
chefe e na sequência como chefe de
seção.
Foi com a Wada Máquinas Ltda que
conheci o Nippon Country Club em
1971. A empresa mantinha um título
jurídico, obtido certamente em uma
daquelas campanhas lançadas pelo
fundador Katsuzo Yamamoto. Passa-
mos a frequentá-lo entre 1977 e 1978
e na época quase não tinha muitas
atividades. Levávamos as crianças
(Carlos Eidy, Celso Seidy e Miriam
Yoshie) para brincar na piscina e
passávamos horas por lá. Lembro do
baiten, que vendia refrigerantes e
sanduíches e até ajudávamos o se-
nhor Pedro no restaurante. Depois,
adquirimos o título familiar nosso em
1992.
Adorávamos ajudar as pessoas no
clube e o Yamamoto, sempre que
podia, nos chamava para conversar
com ele. Ficávamos horas falando. Eu
e o Yoshio sempre fomos muito volun-
tariosos. Aliás, quando ele faleceu em
2019, completamos 36 anos de traba-
lho voluntário ininterruptos no clube.
Sempre gostamos muito de trabalhar
nos bingos, almoços, jantares e
festas. Creio que ser voluntário era
um chamado desde quando entramos
no Nippon.
Nossa trajetória por departamentos
começou com o Yoshio no grupo do
vôlei. Ele integrava a diretoria
departamental quando o presidente
Sadao Kayano convidou, em 1984,
uma equipe de Okayama para amisto-
sos no Nippon, que acabaram sendo
repetidos também em 1985. Depois
também começaram a vir equipes da
AELU, do Peru, com quem Kayano
tinha um amplo intercâmbio. A eles
juntaram-se, posteriormente, os times
do Piratininga, Anhanguera,
Coopercotia, UCEG e Mogi das Cruzes.
Eu era a cozinheira da equipe de vôlei
(e passei a ser da diretoria executiva
também) e em tudo o que precisavam,
reuníamos com as amigas e colocáva-
mos a mão na massa. Também leváva-
mos bolos e chás para os jogos no Pira,
Cooper e Anhanguera. Foi um tempo
muito bom.
O pessoal do Peru adorava vir ao
Nippon, pois gostava da nossa recep-
ção calorosa. Nasceu, sem dúvida, uma
amizade muito bonita e é assim até
hoje. Lembro com saudades das con-
versas com o Carlos Morioka e o pro-
fessor Galdêncio, da AELU. Como foi
bom aquele tempo. Depois do volei-
bol, Yoshio foi sucedido pelo Edison
Ikuno e foi para o Departamento de
Bocha (onde tornou-se, posteriormen-
te, diretor) a convite do então diretor
João Pachon. Sempre o acompanhei.
Na época, passei a integrar o Departa-
mento Feminino, que tinha a Lídia
Nakamura da Costa como diretora. Fui
colocada para fazer a parte da tesoura-
ria, onde fiquei praticamente dez
anos, entre 1994 e 2004. Tínhamos
uma agenda bem intensa de ativida-
des, com a Rádio Taissô, chá da tarde
e depois ainda surgiu a Festa da Ter-
ceira Idade, com a Emília Otsuka.
Em 2005, fui convidada por Sadao
Kayano a assumir como diretora do
Departamento Feminino. são,
desde então, praticamente 16 anos
“Mas um dos
trabalhos mais
prazerosos é
mesmo o da
cozinha. O pessoal
gosta muito dos
meus pratos e
tenho uma equipe
de 28
colaboradoras
sempre disposta a
ajudar. Até hoje é
assim.
Voluntariado, um bem precioso demais
Mitico Endo
A
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 27
com a árdua, ao mesmo tempo gratifi-
cante, tarefa de comandá-lo, ofere-
cendo, por exemplo, serviços de
cabeleireiro, podóloga, manicure e
massagista, além de cursos de ioga,
artesanato e odori.
Mas um dos trabalhos mais prazerosos
é mesmo o da cozinha. O pessoal
gosta muito dos meus pratos e tenho
uma equipe de 28 colaboradoras
sempre disposta a ajudar. Até hoje é
assim. Guardo como boas recordações
a comida que preparamos recente-
mente na recepção do embaixador do
Japão, Akira Yamada, e ao cônsul
japonês em São Paulo, Yasushi
Noguchi.
Tenho também boas lembranças das
grandes festas do passado, como o
Boonenkai. Duas das minhas receitas
são lembradas e as faço até hoje: o da
salada de beringela refogada e a
salada de pepino com wasabi. Essa
última receita veio de uma amiga da
UCEG.
Sempre gostei de cozinhar. Aprendi
com a minha cunhada quando casei.
Antigamente não havia buffet e nas
festas de casamento e aniversários da
família, acordava de madrugada para
ajudar. Fiz também um curso de
gastronomia na Universidade Aberta,
mas o tempero mesmo sempre fiz do
meu jeito. Aliás, quem prova dele não
o esquece nunca mais.
Ainda hoje atuamos em algumas
festas e recepções do Nippon. A
cerimônia aos novos sócios, com
sanduíches, bolos e salgadinhos, que
ocorre a cada três meses, somos nós
que ainda preparamos a pedido da
Diretoria Social. No penúltimo encon-
tro atendemos 120 pessoas. Vez por
outra também recebo pedido de
tortas dos jovens da Academia do
Futuro.
Ao longo de mais de 40 anos de clube,
tenho outros momentos muito
marcantes em minha memória. No Dia
das Mães de 2015, ganhei uma placa
de prata do presidente Valter Sassaki,
ocasião também em que Emiko Sassaki
cantou uma canção especial para mim.
Uma sensação indescritível que tocou
muito meu coração, como também
havia ocorrido em outra homenagem
que recebi do então diretor da Dire-
toria Social, Yukino Miyata, também
com uma placa em reconhecimento
aos serviços prestados.
Lembro com gratidão também de ter
participado do encontro, no restau-
rante do Nippon, que selou a assina-
tura do protocolo de intenções para a
criação da União Internacional de
Clubes e Instituições Nikkeis (Unicin),
que buscava fomentar a integração
por meio de atividades sociais e
esportivas das entidades na América
Latina. Foi um importante marco, que
reuniu representantes do Brasil, Peru,
Paraguai, Chile, Argentina e Uruguai,
muitos deles, inclusive, que estiveram
presentes na Confraternização
Desportiva Pan-Americana Nikkei
(Confra) em 2020.
Meus filhos hoje pouco aproveitam o
Nippon. Carlos jogou tênis de mesa
durante um bom tempo, Celso reside
no Japão faz muitos anos e a Míriam,
depois do voleibol e do futebol de
salão, quando chegou até a ser eleita
a melhor goleira em um torneio no
Anhanguera com a técnica Fátima
Yoshinaga, não usufrui mais do clube.
Vejo com bons olhos o futuro do
Nippon e fico ainda mais feliz em ver
os jovens se movimentando com a
Academia do Futuro e o Movi, buscan-
do fomentar novas lideranças. O
futuro presidente precisará ter, po-
rém, um bom jogo de cintura e definir
bem os novos gestores para mantê-lo
na rota do crescimento e com o
espírito de voluntariado sempre
presente entre os sócios. Dizem que
no Nippon estou em um lugar muito
bom. E disso, eu realmente não tenho
a menor dúvida.
Mitico Endo
frequenta o
clube, onde seus
três filhos
cresceram,
mais de 40 anos.
Sempre ajudou
como voluntária
em eventos e é
diretoria feminina
desde 2005
Mitico Endo em primeiro plano, com Helena Nagoshi, Tiemi Ikuno e Diva Nakamura,
trabalhando na cozinha
28 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
heguei à capital paulista em 1957
para estudar. Vim para São Paulo
com um trabalho, transferido do
então Banco Popular do Brasil (hoje
Bradesco) em Londrina, Norte do
Paraná, onde havia ingressado em
1956. Descobri o Nippon em 1972,
quando eu e a minha esposa Midori o
visitamos a convite do casal de amigos
Hiroshi e Massako Fukumitsu.
Foi praticamente amor à primeira
vista, em especial pela existência, na
época, de duas quadras de tênis à
disposição dos associados. Pensei de
imediato: é aqui que quero entrar. Na
verdade, me enxergava jogando
naquelas quadras. Esse esporte sem-
pre foi uma das minhas paixões,
desde os tempos de garoto, aos 12
anos, no Paraná. Na adolescência, era
apenas uma brincadeira, passei a
jogar mesmo no Nippon. Antes do
convite dos meus amigos, nem sabia
da existência do clube.
Lembro que em 1972, além das qua-
dras, quase não havia nada no
Nippon. Recordo-me apenas de uma
lagoa, o ginásio, a piscina, um campo
de futebol e nada mais. Meu pensa-
mento era realmente jogar tênis. O
número de títulos que conquistei
desde então, nem me lembro mais,
mas o que importava era a participa-
ção e conquistar muitos amigos.
Lembro, com carinho, das vitórias no
Campeonato Brasileiro Intercolonial
de Veteranos 45 anos por Equipes em
Londrina, no Brasileiro de Veteranos
55 anos por Equipes no próprio
Nippon, no Torneio da Amizade Brasil-
Japão por Equipes em Curitiba, no
Intercolonial de Tênis do Coopercotia
Individual e Duplas, em São Paulo e no
Torneio Dupla Centenária Nikkey em
Brasília.
Além disso, participei na Confraterni-
zação Desportiva Pan-Americana
Nikkei (Confra) no Paraguai e no Peru.
Tudo isso devo ao clube. Continuo
jogando e parei em razão da
pandemia. Meu último torneio foi em
15 de março de 2020, em uma disputa
por equipes no próprio Nippon.
Espero continuar jogando por mais
um ou dois anos. Ou melhor, quero
tentar, se fisicamente aguentar.
Outro esporte que tenho paixão é o
beisebol. E com esse esporte vim para
a cidade de São Paulo pela primeira
vez em 1954 para tornar-me campeão
brasileiro juvenil no campo do
Coopercotia em uma vitória
consagradora de Londrina por 6 a 2
sobre Lins na grande decisão. Naquele
mesmo ano, recebi uma notícia que
transformaria a minha vida. Meus pais
voltariam para Fukui, no Japão,
levando quatro irmãos menores e
ficando apenas eu e a minha irmã
mais velha.
Por isso, quando posso e o tempo
permite, assisto a algumas partidas de
beisebol no Nippon. fui mais
assíduo. A fusão com o Blue Jays, na
década de 90, deu certo em razão das
pessoas envolvidas. O presidente
Sadao Kayano foi muito feliz em sua
decisão e, por outro lado, o Blue Jays
tinha gestores também interessados
e, principalmente, motivados com a
parceria. Hoje, temos todas as catego-
rias completas e o clube é um dos
maiores vencedores na modalidade.
No Departamento de tênis, na gestão
Valter Sassaki, permaneci 13 anos
como tesoureiro, quando não havia
nem computador e todo trabalho era
feito com máquina de escrever, xerox,
tudo manual. Foi uma época muito boa
com ótimas recordações. Também
entre 1995 e 2003, a convite do diretor
Yukino Miyata, atuei como primeiro
tesoureiro na gestão do presidente
Sadao Kayano, com quem também viria
a ocupar a terceira vice-presidência
entre 2003 e 2009.
Com a chegada de Valter Sassaki na
presidência, passei a primeiro vice-
presidente de 2009 a 2017 e agora
estou como terceiro vice-presidente
até 2021. Fico muito feliz em poder
ajudar o clube e saber que a diretoria
confia no meu trabalho.
Na prática, fiquei surpreso no princí-
pio com o convite para integrar a
diretoria como tesoureiro. Sou forma-
do em Ciências Contábeis pela
Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo (PUC-SP) e durante 20 anos atuei
como contador do Tribunal de Contas
do Município (TCM) de São Paulo.
Portanto, experiência mesmo não me
faltava.
O que mais marcou na minha vida no
Nippon, foram os amigos que conquis-
tei durante esses longos anos, tanto
como tenista e dirigente. Também
pelo clube tive a oportunidade de
receber o convite de Kokei Uehara e
“Fazendo uma
analogia do
crescimento do
clube, no
passado, quando
comecei no tênis,
o departamento
tinha um
acanhado
quiosque. Éramos
muito pequenos.
Fico feliz em ver a
transformação”
Uma miscigenação cada vez mais presente
Hiroshi Takahashi
C
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 29
Reimei Yoshioka para colaborar na
parte financeira dos preparativos para
as comemorações do centenário da
imigração japonesa no Brasil, em 2008.
Participei de vários eventos, inclusive
na recepção pelo casal imperial em
Tóquio, que me marcou muito. Estive
várias vezes no Peru (AELU) partici-
pando de muitas comemorações,
como do centenário da imigração
japonesa naquele país, aniversário da
fundação e também na Convenção
Pan-Americana Nikkei (Copani).
Continuo sendo ainda um
frequentador assíduo do clube. Houve
uma época em que ia todos os sába-
dos e domingos. Até o início da
pandemia estava indo aos domingos,
onde costumava chegar às 8 horas,
depois de andar os 65 km do bairro do
Tamboré, na região de Alphaville, até
Arujá. Uma hora depois, estava
jogando tênis e ficava até o final da
manhã.
Depois do almoço, até às 16 horas,
dedicava um tempo ao mallet golf,
esporte que descobri uma década
(já joguei o Campeonato Brasileiro em
Piedade, Ibiúna, Coopercotia). Midori,
a minha esposa, é companheira
constante. A minha filha Simone, o
genro José Luiz e a neta Isabella,
motivos de minha grande alegria,
foram mais assíduos, e vez por outra
estão no clube também.
Fazendo uma analogia do crescimento
do clube, no passado, quando come-
cei no tênis, o departamento tinha
um acanhado quiosque. Éramos muito
pequenos. Fico feliz em ver a trans-
formação. No começo, eram poucos
jogadores e hoje não conheço quase
ninguém, pois temos muita gente
nova, fato que demonstra o cresci-
mento do departamento em
infraestrutura e em novos sócios.
E tudo isso se deve a gestores compe-
tentes que sempre tivemos. Tive a
felicidade e a honra de trabalhar com
Sadao Kayano, um empresário organi-
zado, que durante 16 anos comandou
o clube. E desde 2009 com o Valter
Sassaki, administrador que trouxe
inovação, transformando o Nippon,
deixando-o totalmente diferente de
quando começamos.
O Nippon hoje é um grande clube e
muitas coisas novas ainda estão por
vir, mas dependerão muito de como
sairemos da pandemia, que pode
afetar a parte financeira. Nestes 60
anos, o clube adquiriu vários terrenos
e promoveu reformas nas diversas
instalações e construiu novas obras
em condições de serem usufruídas por
muitos anos. A nova gestão pratica-
mente reformulou as sedes detodos
os departamentos e construiu a sede
do Escotismo e do Mallet Golf.
No Nippon também temos bons e
grandes diferenciais. Um deles é a
valorização da cultura japonesa. O
Undoukai e o Nippon Fest fazem isso
muito bem. de se pensar, porém,
que daqui a alguns anos a comunidade
nipo-brasileira não terá mais a cara de
japonês, com a miscigenação cada vez
mais crescente. Mas a cultura vai
sobreviver.
Minha mensagem aos associados é que
continuem usufruindo do Nippon,
Hiroshi Takahashi
foi primeiro
tesoureiro na
gestão do
presidente Sadao
Kayano, depois se
tornou o vice-
presidente, e foi
vice-presidente
na gestão de
Valter Sassaki até
2017
Hiroshi Takahashi no campeonato de tênis. Ele é o
quinto a partir da esquerda.
para que ele possa se manter e ofere-
cer muitas atividades. Acreditem em
um clube que acompanha a evolução e
está sempre presente na vida do
associado. Eu e cada de um vocês
fazemos parte dessa história.
Hiroshi Takahashi no Campeonato Brasileiro em Londrina, em 1995
30 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
omecei a minha trajetória no Nippon
como um simples associado em 1973,
primordialmente para jogar tênis. Na
verdade, comecei a frequentá-lo mais
assiduamente após o nascimento do
Claudio, meu primeiro filho, aproveitando
os quiosques, as áreas verdes e as piscinas.
Quatro anos depois, nasceu a minha filha
Cynthia, e juntos, passamos muitos finais de
semana, aproveitando as piscinas e as
quadras esportivas.
Naquela época, mesmo com uma
infraestrutura menor, o Nippon tinha
uma atratividade grande, por ser um clube
de campo, com muito verde, segurança e
atividades esportivas e sociais. Habitual-
mente, aos domingos, fazíamos aquele
programa mais familiar. Eu jogava tênis e fiz
muitas amizades no departamento. Emiko
praticava vôlei com as amigas. E nós revezá-
vamos para cuidar e brincar com as crian-
ças. E foi assim que usufruímos do Nippon
na primeira fase como associados.
Como jogador de tênis, fui um dos primei-
ros nikkeis a chegar à primeira classe da
Federação Paulista. Gostava de competir e
conquistei muitos títulos nos campeonatos
da federação e da comunidade nikkei,
individualmente e por equipes, represen-
tando o nosso clube. Tive o privilégio e a
sorte de fazer parte de uma equipe vence-
dora, formada inicialmente por Keiji
Yamamoto, Lauro Otsuka, Valdemar Satake,
Olímpio Okada, Rui Narazaki e depois por
muitos outros tais como Jorge Ishikawa,
Rafael Karazawa e Roberto Yokoi.
O tênis, por minha influência, acabou
sendo o esporte de toda a família. A Emiko,
depois do vôlei, adotou o esporte. O
Cláudio, após uma trajetória vitoriosa na
natação competindo pelo Clube Atlético
Paulistano, também treinou o tênis compe-
titivamente por vários anos, participando
de inúmeros torneios infanto-juvenis
dentro e fora do país. A Cynthia também
praticou o tênis durante toda sua infância
e juventude.
Foi com o tênis também que tive a minha
primeira experiência como dirigente no
clube. Havia uma certa insatisfação na
época com a forma que o departamento
era administrado. Liderado pelo amigo e
tenista Álvaro Yamakawa, começamos a nos
reunir e discutir qual seria a melhor forma
para o departamento melhorar a sua
gestão. Daí nasceu em novembro de 1989 a
primeira diretoria do departamento, com o
Álvaro como presidente do Conselho e eu
como diretor. Éramos um grupo de cerca
de 50 pessoas, muito unido, constituído de
empresários, profissionais liberais e comer-
ciantes.
Com essa primeira diretoria, conseguimos
dar um salto em qualidade na gestão.
Estruturamos administrativamente o depar-
tamento com novos sistemas e controles,
instituímos o ranking por quadras, e os
torneios internos e abertos. Além disso,
incentivamos as crianças a participarem da
Clínica de Tênis e os jogadores a disputa-
rem os torneios fora do clube. Assim, o
Nippon passou a ser conhecido e reconhe-
cido como um clube de destaque e com
atletas de ponta.
Também conseguimos recursos para
iluminar as duas primeiras quadras e, com
isso, convencemos a diretoria a abrir o
clube no período da noite. O Departamen-
to de Tênis transformou-se rapidamente
em um "benchmarking" dentro do clube,
servindo de referência para a organização
de outros departamentos.
Quando assumi como diretor do Departa-
mento de Tênis não tinha a menor preten-
são de um dia fazer parte da diretoria
central. Tornar-me presidente, então,
estava totalmente fora dos planos. O
objetivo era ter o nosso espaço do tênis
bem administrado e conservado. Mas em
2004, até em razão do trabalho que execu-
tamos no tênis, fui convidado pelo presiden-
te Sadao Kayano a assumir a Diretoria de
Esportes (Diresp), com o desafio de unir
todos os departamentos em torno de
objetivos comuns.
Cada departamento tinha surgido de forma
isolada e era necessário que a Diresp, que
coordenava todas as áreas, fizesse esse
trabalho de união. O resultado culminou na
criação do Torneio Nippon Intercolonial
Poliesportivo, com a participação de prati-
camente todos os departamentos. Reuni-
mos, na ocasião, mais de 1,5 mil atletas de
35 agremiações de todo o país, com dispu-
tas de tênis de campo, basquete, futebol,
futsal, handebol, softbol, tênis de mesa e
voleibol.
Em abril de 2009, veio então a maior missão
que tive e tenho no Nippon: assumir a
presidência desse clube grandioso. A
responsabilidade era enorme, pois ia
suceder dois presidentes empreendedores
e competentes, que realizaram uma gestão
de grande sucesso, trazendo o Clube a uma
grande projeção no meio clubístico. O
Nippon não seria o que é hoje se não fosse
pelo empreendedorismo, competência e a
coragem do nosso fundador Katsuzo
Yamamoto, algo que não é muito típico do
oriental, normalmente mais conhecido pela
sua prudência e menor ousadia.
Nosso segundo presidente, Sadao Kayano,
também, com uma visão empreendedora
aliada à sua experiência como homem de
negócios, teve uma gestão por 16 anos,
competente e transformadora. As grandes
obras que o Nippon fez durante sua gestão
foram fruto da sua experiência na área de
“Para se obter uma
boa gestão, é
imprescindível a
formação de uma
boa equipe, e nisso
eu tive muita sorte
em toda minha
vida profissional,
seja nas empresas
em que trabalhei,
seja no clube”
Ousadia e necessidade em espaço para os jovens
Valter Takeo Sassaki
C
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 31
construção civil e à sua visão empresarial.
Em minha gestão, me ajudou muito a
experiência acumulada no mundo
corporativo. Comecei a trabalhar cedo,
com 14 anos, e tive uma ascensão profissio-
nal muito rápida. Comecei como office-boy
e aos 21 anos assumi a diretoria administra-
tivo-financeira de uma empresa de grande
porte, ainda fazendo a faculdade, mas
com uma longa experiência em administra-
ção (graduei-me em Administração de
Empresas na Faculdade de Economia e
Administração da USP e depois em Ciências
Contábeis). Mais tarde tornei-me vice-
presidente da empresa e atualmente sou
diretor de uma das "joint-ventures" do
grupo e atuo também como presidente do
Conselho de Administração da holding, uma
companhia de capital aberto.
Para se obter uma boa gestão, é imprescin-
dível a formação de uma boa equipe, e
nisso eu tive muita sorte em toda minha
vida profissional, seja nas empresas em que
trabalhei, seja no clube. Em um trabalho
voluntário, como é o realizado pelos
diretores do Nippon, é preciso uma
conjugação de idealismo, competência e
amor ao clube.
No primeiro mandato, o objetivo foi
promover a modernização do clube, através
de uma reestruturação administrativa, com
investimentos significativos na
informatização de todas as áreas. Sempre
tive muito claro, quando assumi a presidên-
cia, de que teríamos que investir também
na recuperação da estrutura física do
clube, pois com 50 anos, as instalações
estavam degradadas pelo tempo. Assim,
iniciamos a reforma e a modernização de
todos os prédios, começando pelo parque
infantil, que se tornou uma referência,
passando pelo restaurante, áreas gourmet,
hotel, além de uma série de reformas de
sedes de departamentos e quiosques,
passando ainda pelo Salão Nobre e o Ginásio
Koitiro Hama (antigo Poliesportivo 2).
Tivemos também a felicidade de, em 2019, e
de maneira quase simultânea, vendermos o
terreno de Itaquaquecetuba e comprarmos
a antiga sede do Banco de Tokyo. Ambos os
negócios foram concretizados em condições
excepcionais e aconteceram no momento
certo. Hoje, com a pandemia, seria total-
mente inviável fazer essas operações.
Conseguimos, portanto, com a colaboração
de todos associados, diretorias
departamentais, diretoria executiva, conse-
lhos Deliberativo e Moderador, colocar o
Nippon em um patamar equivalente ao dos
melhores clubes do país.
Dentro dos objetivos da minha gestão, a
participação dos jovens sempre foi priorida-
de, pois o futuro de qualquer entidade está
diretamente ligado à capacidade que ela
tem de incentivar e envolvê-los no seu dia a
dia. Não é uma tarefa fácil, porque os
jovens têm um ciclo dentro do clube, e
quando chegam à idade de vestibular e
faculdade, se afastam.
Para quebrar esse ciclo, procuramos
incentivar cada vez mais a participação dos
jovens através do Movimento Jovem,
Acantona Volley, aulas e clínicas nos depar-
tamentos e, mais recentemente, por meio
da Academia do Futuro, que nasceu da
inspiração do nosso gerente Wagner Vilela.
E podemos dizer que, apesar das dificulda-
des, os resultados estão aparecendo, o que
nos tranquiliza e nos dão a certeza de que
o Nippon está no caminho certo para
construir o seu futuro.
Mas o desafio maior para todos os clubes e
instituições foi causado recentemente pela
covid-19. Com certeza, o Brasil e o mundo
serão diferentes no pós-pandemia. Enquan-
to não surgir uma vacina ou um medicamen-
to eficaz, a crise econômica será severa,
com queda na renda e desemprego cres-
cente, que atingirá com certeza a popula-
ção de todas as classes sociais.
Ainda não temos condições de mensurar o
tamanho e a duração da crise, mas será um
grande desafio adaptar o clube à nova
realidade. Tudo indica que haverá uma
alteração no modo de vida das pessoas, e
teremos que, na medida em que forem
ocorrendo as mudanças, estarmos prontos
para atender aos anseios de nossos associa-
dos.
Contamos com a colaboração de todos os
associados para, juntos, ultrapassarmos essa
crise que será prolongada e ao final dela,
sairmos fortalecidos para que o Nippon
continue sempre como referência, para
que nossos filhos e netos possam crescer
em um ambiente familiar e seguro, como
sempre foi ao longo dos seus 60 anos.
Valter Sassaki foi
diretor de tênis,
diretor de
esportes na gestão
do presidente
Sadao Kayano, e
desde 2009 ocupa
o cargo de
presidente do
clube
No NipponFest de 2019. À partir da esquerda, Valter Sassaki, cônsul geral Yasushi
Noguchi, Koitiro Hama (presidente do Conselho Deliberativo), Noritaka Yano (presidente
da Associação Panamericana Nikkei) e Jun Suzaki (vice-presidente da Beneficência Nipo-
Brasileira de São Paulo)
32 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
heguei ao Brasil em 1954, depois de
uma longa viagem de 45 dias a bordo do
navio Santos Maru. Desembarquei no
Porto de Santos, mas meu destino, de
imediato, foi a Casa de Estudantes
Harmonia, em São Bernardo do Campo,
no ABC Paulista, local que abrigava
jovens filhos de imigrantes nipônicos,
principalmente do interior de São Paulo,
e alguns japoneses. Na época, era o
único japonês e cerca de dois anos
depois chegou um outro.
Nasci em 5 de julho de 1938 em Tóquio,
na época em que o Japão começava a
viver o clima da Segunda Guerra. Vim
sozinho para o Brasil tentar a sorte na
década de 50. E eu, particularmente,
gostei da ideia de vir, ao saber, por meio
de pesquisas, de que havia uma faculda-
de de nome ITA (Instituto Tecnológico da
Aeronáutica), que projetava aviões, uma
de minhas grandes paixões de infância,
mas acabei fazendo engenharia na Escola
Politécnica da Universidade de São P aulo.
Eu gostava de ver os jatos americanos
indo e vindo da Coreia, passando sob a
minha cabeça no Japão. Meu sonho era
ser projetista e meus cadernos de
ginásio tinham mais desenhos de aero-
naves do que matérias.
Ainda como interno do Harmonia, conhe-
ci a Amélia Miyoko Yoshio, que viria a
ser minha esposa em 1965. Do matrimô-
nio nasceram os nossos filhos Ricardo
(1966), Renato (1967) e Roberta (1970).
Com as crianças crescendo, tornei-me
sócio do Nippon Country Club em 1973
por sugestão do amigo Koitiro Hama,
meu companheiro da Casa de Estudantes
Harmonia.
Na verdade, conhecia o clube, pois
meu sogro Hiroshi Yoshio, amigo pessoal
do Katsuzo Yamamoto, havia comprado o
título logo após a sua fundação. Na
época da criação do clube, muita gente
comprava o título para ajudar o Nippon
mesmo sem nenhuma intenção de
usufruí-lo. Como meu sogro morava em
Presidente Prudente, no interior paulista,
e pouco o utilizava, repassou-o para nós.
Na mesma época, adquiri também o
título do Coopercotia Atlético Clube,
muito em razão do escotismo para meus
filhos, atividade que o Nippon ainda não
disponibilizava aos associados.
Quando passamos a frequentar, o clube
tinha poucos atrativos, a não ser as
quadras de tênis, piscinas, atual ginásio
1 e dois campos de futebol, um oficial e
outro pequeno. No começo, chegava com
a família aos domingos, fazia o tradicio-
nal churrasco no quiosque e logo íamos
embora. Ou quando passávamos o dia,
ficávamos mais na piscina do que em
qualquer outro lugar. Tínhamos poucos
amigos no Nippon e eu não estava
envolvido em nenhuma atividade.
Com o passar do tempo, incentivei o
Ricardo e o Renato à prática do futebol
com aulas na escolinha. Eu adorava jogar
bola desde os tempos da faculdade. Um
dia, no Nippon, participei de uma partida
entre pais e filhos e acabei por criar um
grupo de amigos futebolistas e voltei a
jogar. Tornei-me um assíduo frequentador
das partidas nos finais de semana. Não
faltava um domingo sequer, não havia
titulares ou reservas. Quem chegava, ia
entrando no campo, bem diferente do que
vemos hoje.
Costumo brincar com os amigos falando
"ainda bem que cheguei ao Brasil em
1954, sem entender a língua e nem de
futebol". Naquele ano, o Corinthians foi
campeão da Copa Centenário. Se enten-
desse de futebol e português, talvez hoje
fosse corintiano. Mas acabei ser santista
ao ver o Santos Futebol Clube ser
bicampeão paulista (1955/1956) depois.
Joguei futebol até 1986, quando machu-
quei feio a ponto de receber proibição
médica. Não aceitava muito a ideia de
parar com o futebol. Para não passar
vontade, joguei chuteira, caneleira e
meiões na lixeira do clube. Quando
posso, ainda hoje dou aquelas espiadas
para ver algumas partidas no Nippon. A
saudade dos gramados é grande, mas a
saúde está sempre acima de tudo.
Depois de abandonar o futebol, parti para
o tênis. Com a pouca familiaridade, mas
“Muito diferente
de quando
cheguei, o Nippon
hoje tem
instalações
fenomenais. É um
clube cheio de
vida e,
principalmente,
muita família.
Aqui sinto o clube
como a extensão
da minha casa”
Um clube cheio de vida
Yutaka Watanabe
C
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 33
com a raquete em mãos, lembro que tive
aulas particulares primeiramente. Na
época, era difícil para um novato poder
entrar na quadra e jogar. Um dia, o
falecido P edro Ogawa me chamou para
entrar na turma. Foi um gesto muito
bacana, que me marcou muito. Aquela
receptividade e o sentimento de
companheirismo ficaram na minha
memória. Além dele, fazia parte desse
grupo de amigos o Sueo Kariya, Wilson
Otsuka e o Hiroshi Issiki. Por problemas
no ombro, também tive que abandonar o
tênis. Acabei por entregar-me ao mallet
golf desde então.
Apesar de ser engenheiro mecânico de
produção, sempre estive muito próximo
das finanças nas empresas pelas quais
passei. Por conta dessa experiência,
assumi o cargo de diretor tesoureiro do
Nippon na gestão 1995/1997 a convite
do presidente Sadao Kayano. Eu havia
sido vice do tesoureiro Yukino Miyata e
diretor sem pasta na gestão de Katsuzo
Yamamoto, sendo na época um dos
caçulas entre os diretores ao lado de
Hiroyuki Sato. Hoje, por ironia, somos
os mais velhos da diretoria.
Trabalhar com Katsuzo Yamamoto tam-
bém foi um grande aprendizado. Ele era
enérgico, buscava resolver tudo sozinho.
Todos tinham um respeito e admiração
pela figura empreendedora e idealista
dele. Não por menos o clube chegou onde
está porque ele acreditou até o fim de
que era possível criar um clube como o
Nippon. Fora as broncas, sentar-se à
mesa nas reuniões com o Yamamoto nos
restaurantes da Liberdade, sabíamos
pelo menos que o jantar seria muito
bom. Tenho boas lembranças da época.
Desde que assumi como diretor financei-
ro, não deixei mais o cargo. são mais
de duas décadas comandando as finanças
do maior clube nipo-brasileiro da América
Latina. É uma grande responsabilidade e
agradeço à diretoria pela confiança
sempre depositada. Peguei muitos altos
e baixos, mas sempre superamos bem as
dificuldades, promovendo o equilíbrio
entre a receita e a despesa.
Ficarei somente até 2021, até porque
estatutariamente não posso continuar.
Participo mensalmente das reuniões da
diretoria no clube e procuro manter
minhas atividades esportivas e sociais
sempre que posso, mas dedico um tempo
especial à Fazenda Santa Izabel, um
empreendimento de 800 alqueires em
Santo Anastácio, interior de São Paulo,
que assumi após o falecimento do meu
sogro em 1996.
Muito diferente de quando cheguei, o
Nippon hoje tem instalações fenomenais.
É um clube cheio de vida e, principal-
mente, muita família. Aqui sinto o clube
como a extensão da minha casa.
Yutaka Watanabe
tornou-se diretor
na gestão de
Katsuzo
Yamamoto, e
tesoureiro geral
na gestão de
Sadao Kayano,
cargo que ocupa
até hoje. É vice-
presidente do
Superior Conselho
Moderador
Cantando no Nippon, um de seus passatempos
preferidos
34 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
omei conhecimento do Nippon em 1976,
como funcionário da Fiação e Tecelagem
Kanebo do Brasil, uma multinacional
japonesa do setor têxtil. A empresa, na
época, tinha um título jurídico. Lembro-me
que frequentava o clube com um grupo de
amigos. Os homens, loucos para jogar
futebol. As mulheres, doidas para aprovei-
tar a piscina. Esperávamos por isso a
semana inteira. Todo domingo pegávamos o
ônibus da empresa Danúbio Azul na Estação
Armênia do Metrô e descíamos na Via
Dutra. Voltávamos com o mesmo ônibus ou
conseguíamos carona na portaria do clube.
Na época, não havia essa coisa de desconfi-
ança, de bandidagem, criminalidade.
Quando comecei a frequentar o Nippon, o
Campo 2 do futebol ainda nem existia. Era
um campo de rúgbi, na verdade, esporte
que o primeiro presidente Katsuzo
Yamamoto gostava muito. Não tinham as
quadras de futebol society, que vieram
muitos anos depois, e as de futebol de
salão eram descobertas. Para almoçar,
existiam umas barracas e uns quiosques,
comíamos lanche ou nos virávamos. Uma
coisa era certa: ninguém passava fome.
Na Kanebo, muito conhecida na época pelo
beisebol, inclusive com jogadores que eram
trazidos diretamente do Japão, tínhamos
um time de futebol. Jogávamos contra o
pessoal da fábrica e de outras filiais e
perdíamos. Também disputávamos jogos no
Nippon. Atuava como médio-volante e até
me arrisquei como ponta esquerda até os
50 anos. De 0 a 10, me avalio tecnicamente
com uma nota 7.
Mas, mais do que o futebol, o Nippon
também marcou minha vida pessoal. Foi
que comecei a namorar minha esposa
Miyuki em 1977, a quem conheci na própria
Kanebo. Bons tempos, sem dúvida. Aliás,
dos muitos amigos da época da companhia,
dois pelo menos ainda estão por lá: Edson
Tati e Milton Nishihara.
Depois de conhecer e frequentar bastante
o clube, fiquei um tempo fora do Nippon.
Todo jovem tem a fase da faculdade.
Em 1976, quando entrei como sócio, tinha
18 anos de idade. Depois ingressei na
universidade, casei e não sobrava tempo
nem dinheiro para ficar passeando. O
jovem de hoje tem o mesmo problema
nessa faixa de idade. As prioridades,
habitualmente, na faixa dos 18 a 20 anos,
passam a ser o estudo e a vida profissional.
Voltei a frequentar o Nippon com a chega-
da das minhas filhas. A mais velha, Natassia,
nasceu em 1984. Depois vieram a Larissa,
em 1987, e a Letícia, em 1995. Não fazia
nada além do futebol. Mas quando menos
esperava, passei a integrar um grupo de
dança de salão, atividade praticada por um
grupo de casais de amigos. Uma mulher
conversa com a outra, um marido é con-
vencido pelo outro e acabamos indo.
Éramos em cerca de dez casais e até
contratamos professores. Formamos um
grupo bem bacana e nos reuníamos todos
os finais de semana, aos sábados no
Nippon. Depois houve uma época em que
fazíamos aulas em São Paulo pelo menos
uma vez por semana.
No Nippon, a dança de salão era vinculada
ao Departamento Feminino, que na época
ficava embaixo da piscina, onde hoje é o
Movi. Tempos depois, a dança de salão foi
desvinculada do Departamento Feminino,
quando enviamos um ofício para o então
presidente Sadao Kayano solicitando seu
apoio e um espaço para a realização das
aulas. Em razão disso, ela foi incorporada
pelo Departamento de Cultura e Artes
(DCA), então sob o comando do amigo
Francisco Aparecido da Costa. Foi tudo
muito rápido. A princípio, o DCA, fundado
em janeiro de 2001, iniciou com o karaokê,
taikô, pintura, mangá, e na sequência veio a
dança de salão e depois vários outros
cursos acabaram sendo introduzidos.
Recebendo convite de Sadao Kayano,
assumi a diretoria do DCA em 2001 em
substituição ao próprio Francisco Costa.
Agregamos em minha gestão os cursos de
piano, teclado, flauta, dança do ventre e
chegamos até a ter aulas de teatro. Outras
modalidades acabaram sendo implementadas
com professores que foram convidados.
Hoje, sob o comando competente de
Marina Maizato, são 20 cursos, com mais
de 200 alunos.
Atualmente, o DCA é o departamento com o
maior número de frequentadores assíduos
nos finais de semana, vinculados à Diretoria
Social. E alguns cursos ganharam tamanha
proporção, que tornaram-se departamentos
independentes, como o Karaokê e o Taikô,
hoje com grande sucesso. São atividades
muito específicas e que necessitavam de
autonomia e cuidados específicos. O
primeiro, por sinal, promoveu o Paulistão
no clube em 2010 e realizaria o Brasileirão
da Canção Japonesa, previsto para julho
deste ano como parte das comemorações
do 60º aniversário do Nippon. O evento foi
adiado, em razão da pandemia, e está com a
data ainda a ser definida e na dependência
das regionais que integram a ABRAC -
Associação Brasileira da Canção.
“Chegar até aqui,
aos 60 anos, não foi
fácil. Mas temos
sobrevivido graças
às grandes equipes
de trabalho, com
voluntários e
diretores, que não
medem esforços
para fazer as coisas
acontecerem”
De olho nas duas pontas: jovens e terceira idade
Rubens Harumy Kamoi
T
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 35
Em 2005, assumi como vice-diretor do Social
na gestão do professor Yukino Miyata. Dois
anos depois, fui convidado pelo presidente
Kayano a comandar a pasta em seu último
mandato. Sinceramente, reconheci à
época, que havia pessoas mais preparadas
do que eu para o cargo. Mas aceitei o
desafio e, com o pessoal unido, o trabalho
acabou dando muito certo.
Em 2009, com a eleição do atual presidente
Valter Sassaki, tive o privilégio de ser
mantido à frente da Diretoria Social e fui
levado ao cargo de primeiro vice-presiden-
te, nas eleições de 2017. Responsabilidades
que assumi com o compromisso de fazer o
melhor em prol do clube, com o apoio
incondicional da nossa equipe de diretores
e voluntários.
Na gestão do atual presidente, estrutural-
mente falando, foi o período em que o
Nippon experimentou seu maior salto, além
do incremento de nossas principais festivi-
dades, como o Undoukai, Nippon Fest,
Festa Junina e Boonenkai. Ajudamos e
trabalhamos naquilo que foi possível, mas o
mentor de tudo isso é o presidente e toda
a sua diretoria.
O amigo e atual presidente Valter Sassaki
tem um senso de administração que trouxe
do mundo corporativo. Aliás, nós nunca
imaginamos passar pelo que estamos
vivendo (pandemia). Como lidarmos com um
clube que tem 20 mil associados fechados
em suas casas? Constituímos uma comissão
de crise, que se reúne semanalmente para
discutir as ações, e a expertise do nosso
presidente como executivo de uma grande
empresa tem sido de fundamental impor-
tância na administração do clube, especial-
mente nesta época de crise.
Outro ponto importante a ser destacado é
a integração dos departamentos,
encabeçada pelas diretorias de Esportes e
do Social. A soma dessas forças fez com que
os eventos do clube ganhassem um espaço
importante na agenda. Tem sido assim na
realização do Torneio Poliesportivo desde o
seu início e mais recentemente tivemos o
exemplo da Confraternização Desportiva
Internacional Nikkei (Confra). Em um evento
eminentemente esportivo, a área social
teve uma participação muito importante,
organizando agenda, recepção às autorida-
des e promovendo visitas das comitivas
internacionais à Japan House, Bunkyo e na
residência do cônsul-geral do Japão em São
Paulo, Yasushi Noguchi.
O Nippon deve ainda, por um longo tempo,
ter uma importância muito grande dentro
da sociedade. A nossa ideia é até sair um
pouco fora da comunidade nipo-brasileira,
para proporcionar à população em geral um
local para se divertir e aproveitar a vida.
Uma esperança que surge para nós são os
projetos abertos da Academia do Futuro e
do Movimento Jovem.
Acho que o clube deve ter uma forma de
ser aproveitado nos dias de semana. O
Nippon, com toda a ótima infraestrutura e
utilizado, praticamente, de sábado e
domingo, é um patrimônio gigante que fica
ocioso em grande parte do tempo. Mas
como povoar o clube de segunda à sexta-
feira? Isso precisamos pensar bem e tem
sido uma de nossas preocupações para o
futuro. Podemos analisar, de repente, na
criação de uma escola. É apenas uma
sugestão, mas a reflexão deve ser feita, até
porque implicações de ordem
operacional e legal.
Outra ponta que nos preocupa é a turma
da Melhor Idade. Estamos analisando
alternativas para cuidarmos dessas pessoas,
pois é sabido que vai chegar uma hora em
que muitos associados da terceira idade
não vão usar mais as quadras e as piscinas
do clube, porém, necessitarão de instala-
ções para a prática de atividades condizen-
tes com as suas condições. Precisamos
pensar em uma estrutura para acolhê-los e,
mais do que isso, temos a necessidade de
avançarmos rapidamente com ideias para
amparar esse grupo de pessoas que dedi-
cou sua vida ao Nippon.
Chegar até aqui, aos 60 anos, não foi fácil.
Mas temos sobrevivido graças às grandes
equipes de trabalho, com voluntários e
diretores, que não medem esforços para
fazer as coisas acontecerem. Juntos,
precisamos pensar na satisfação dos associ-
ados. Buscamos fazer as coisas acontece-
rem, que agradem e atendam aos interesses
dos sócios e ao público em geral. E isso é
sempre um grande desafio.
Rubens Kamoi
assumiu como
diretor de cultura
e artes em 2001,
vice-diretor social
em 2005, e
diretor social
desde 2009. Desde
2017 ocupa o
posto de vice-
presidente
Na inauguração da sede do
departamento de escotismo
36 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
Educação e esportes sempre juntos
eu pai Shuitiro Wada, conhecido na
comunidade nipo-brasileira da época e
muito amigo do Katsuzo Yamamoto, partici-
pou da fundação do Nippon em 1960. Aliás,
lembro que eu o acompanhei na cerimônia
de inauguração. Era um clube simples, mas
a festa que marcou a sua abertura foi linda.
Mas tornei-me frequentador mesmo na
década de 70. Pesou a amizade que fiz com
Yamamoto, além de ter bons amigos
associados, como o Koitiro Hama e o Sadao
Kayano, meus companheiros dos tempos de
Casa dos Estudantes Harmonia (hoje Centro
Educacional Harmonia), em São Bernardo
do Campo, no Grande ABC.
O clube mudou bastante desde que entrei.
Muito, diga-se de passagem. Afinal, são seis
décadas de história. Quando comecei a
utilizá-lo com a minha esposa Norico, o
Nippon estava começando, tinha apenas o
bosque e uma represa, além de uma piscina
e campo de futebol. Na verdade, a família
aproveitou muito pouco. Eu jogava beisebol
no Universo nos finais de semana e o
Nippon ainda não disponibilizava esse
esporte. Amo beisebol, mas estou afastado.
Depois dos 50 anos, passei a jogar tênis.
Beisebol mesmo, agora, por noticiário.
O tênis, por sinal, é minha grande paixão
do momento. Pelo menos uma vez por
semana, até antes da pandemia que parali-
sou o mundo, sempre às terças-feiras,
reunia-me com um grupo de outros nove
amigos em duas quadras às 7 da manhã no
bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo.
Quatro deles, Sueo Kariya, Hiroyuki Sato,
Hiroshi Ishiki e Kaida são companheiros do
Nippon. Meu último torneio foi em 2019, no
Super Veteranos do Nippon, competição
que tive o orgulho de ganhar na categoria
acima de 75 anos em 2016.
Também no Nippon tornei-me um adepto
do mallet golf. Até antes da disseminação
da covid-19, jogava todos os domingos. A
curiosidade, que poucos sabem, é que no
lugar do mallet golf a ideia era introduzir-
mos o park golf no clube, um esporte
muito tradicional no Japão. Mas no Brasil
ele ainda era muito pouco difundido e o
mallet estava em ascensão. O tamanho do
campo é praticamente o mesmo, apenas o
taco e a bola são diferentes.
Como presidente do Centro Educacional
Harmonia, uma entidade sem fins lucrativos
e cujo intuito central é desenvolver
atividades, ações e missões de apoio à
educação e à cultura japonesa, mantive
uma relação ainda mais próxima com
Katsuzo Yamamoto, que durante 33 anos
comandou o clube. trocávamos ideias e
informações sobre os trabalhos de ambas
as instituições. Falávamos em integração
com a sociedade brasileira e a propagação
dos valores, costumes e cultura japonesa à
comunidade.
A proximidade com o clube me fez chegar à
diretoria como diretor-técnico a convite
de Sadao Kayano em sua primeira gestão à
frente do Nippon em 1993. Na época,
outros amigos do Harmonia passaram a
fazer parte do grupo diretivo, como Koitiro
Hama, Hiroyuki Sato e Yutaka Watanabe.
Isso ajudou bastante na integração entre
as duas entidades.
Foi na minha primeira gestão como diretor
técnico que o clube passou por uma
reformulação elétrica. As quadras de tênis
ganharam, na década de 90, os seus primei-
ros postes de iluminação. Foi um grande
presente aos tenistas, que por vezes
haviam feito o pedido à diretoria. Depois
iluminamos o campo de futebol e, posterior-
mente, fizemos o projeto da área do Núcleo
2. Para levar energia até embaixo, tive
que fazer um novo projeto. Mais tarde,
também projetamos (eu e o amigo e vice-
diretor de Patrimônio Eiichi Kuguimiya) a
instalação do gerador do Nippon, que
continua em funcionamento até hoje.
Sem a iluminação artificial, as atividades
ocorriam sempre durante o dia. Era uma
necessidade latente dos associados a
iluminação nas quadras e campos, pois todo
mundo queria ficar mais tempo no clube.
Também lembro que como diretor técnico
fizemos todo o calçamento do Nippon,
utilizando os próprios funcionários. Fabricá-
vamos os bloquetes no próprio clube e
aproveitávamos os dias da semana para fazer
a colocação dos pisos.
Até hoje não perco as reuniões de diretoria
do Nippon (sou o diretor de Patrimônio
desde 2009), onde também integro o grupo
do Superior Conselho Moderador. Também
faço questão de estar ao lado dos amigos
nas grandes festividades, como o
NipponFest, Undoukai e o Boonenkai, que
são imperdíveis.
Aliás, devemos trabalhar firme para a
manutenção, no futuro, da cultura japone-
sa. A tendência é que ela, com as novas
gerações, sendo esquecida, mas precisa-
mos disseminá-la. Nesse aspecto, o Nippon
tem fundamental importância, mas não
M
Tadayosi Wada
“Com orgulho
faço parte das
duas maiores
instituições nas
áreas esportiva,
caso do Nippon, e
educacional, com
o Harmonia (lá
sou hoje o
presidente
honorário), da
comunidade nipo-
brasileira”
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 37
pode, de forma alguma, tornar-se um clube
japonês, mas sim de miscigenados.
Com orgulho faço parte das duas maiores
instituições nas áreas esportiva, caso do
Nippon, e educacional, com o Harmonia (lá
sou hoje o presidente honorário), da
comunidade nipo-brasileira. Ambas traba-
lham firmemente para a valorização e a
disseminação da cultura japonesa. O que
facilita essa sinergia é que muitos diretores
do clube são também diretores da escola.
A minha dedicação ao esporte e à educa-
ção renderam homenagens do Prêmio
Paulista de Esportes, tradicional cerimônia
organizada pelo Jornal Nikkey em São
Paulo. Em 2014, na 58ª edição, ganhei o
prêmio como personalidade de destaque.
Em 2015, foi a vez do Harmonia ganhar a
honraria pelos 20 Anos de Intercâmbio
Brasil-Japão de Futebol Sub-15. Também em
2015, recebi uma homenagem do governo
nipônico em comemoração à imigração
japonesa no país e, em 2019, fui condeco-
rado com a Comenda Ordem do Sol Nascen-
te Raio de Ouro com Roseta.
Entre o final dos anos 80 e o princípio de
90, quando ainda dirigia o Harmonia,
passamos a receber muitos jovens japone-
ses que vinham ao Brasil para aprender a
jogar futebol. Era o princípio da J.League,
a Liga Profissional do Japão. Não pensei
duas vezes. Estabelecemos uma parceria
com o Centro de Práticas Esportivas da
Universidade de São Paulo (CEPEUSP) para a
realização de estágios, treinos e torneios.
As partidas inaugurais ocorreram na própria
USP e chegaram a reunir craques como
Diego, Robinho e Kaká, que brilharam
tempos depois com a seleção brasileira.
Mas, por problemas de logística e hospeda-
gem, trouxemos o Torneio Harmonia de
Futebol Brasil-Japão para as dependências
do Nippon Country Club. Aqui, os atletas
ficam alojados na Perfect Liberty, parceira
que ganhamos desde então. A competição,
disputada 25 anos, ocorre anualmente
durante uma semana no mês de março. Em
média, costumamos reunir cinco equipes
japonesas e outras cinco brasileiras. Do
outro lado do mundo vêm seleções das
cidades, colégios e escolinhas de futebol.
Suspendemos a edição de 2020 por conta
da pandemia, mas esperamos retomar a
competição em 2021.
Completei 88 anos em maio de 2020, com
imenso orgulho de pertencer e fazer parte
da história do Nippon. Algo marcante para
mim foi a visita e apresentação da esquadra
japonesa no clube. Meu pai fez uma
apresentação especial sobre a imigração
japonesa, retratando como os primeiros
nipônicos do Kasato Maru chegaram e
começaram a trabalhar na agricultura,
carregando enxada, e aos poucos partiram
para as conquistas na cidade.
Apresentação rápida, mas marcante, tão
marcante quanto foi a primeira Festa de
Debutantes do Nippon, em 1978, organizada
pela dupla Júlio Kato e Manabu Motoda nas
dependências do Círculo Militar. Foi que
minha filha caçula Heloísa Kazumi (além
delas tenho também a primogênita Helena
Akemi e Neide Kiyomi) comemorou esse
momento tão especial.
Tadayosi Wada é
presidente do
Centro
Educacional
Harmonia e ocupa
o cargo de diretor
de patrimônio do
clube desde 2009.
É secretário do
Superior Conselho
Moderador
Tadayoshi Wada recebe homenagem nos 120 anos do Tratado de Amizade Brasil-Japão
das mãos do cônsul geral Takahiro Nakamae
Tadayoshi Wada na entrega de prêmios ao final
do Torneio Harmonia de Futebol Brasil-Japão
Essas são apenas duas das boas lembranças
que ficarão sempre na minha memória. Sou
grato ao Nippon por tê-las proporcionado
em minha vida.
38 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
empre tive uma vida de atleta. Come-
cei no Clube Regatas Tietê, em 1957. Era
o clube mais perto de casa, em São
Paulo. Durante um ano eu e meu irmão
fizemos natação. Aí, quando a piscina
fechou (no inverno), meu pai me levou
para o tênis, pois tinha muitos amigos
que jogavam. Nadei e pratiquei tênis
simultaneamente até os 14 anos de
idade.
No começo, confesso que ia meio que
forçada para o tênis, pois gostava mais
da natação, onde me dedicava às moda-
lidades clássico e o nado borboleta.
Depois, percebi que, esteticamente, os
meus ombros estavam ficando muito
largos, ao mesmo tempo em que come-
cei a ganhar alguns torneios no tênis.
Entre ganhar títulos e "ficar deformada",
fiquei com a primeira opção.
Assim, aos 25 anos, em 1981, conheci o
Nippon. Por intermédio do meu pai,
protético, fui indicada pelo dentista Hori
a dar aulas de tênis no clube, inicialmen-
te para crianças e jovens dos sete aos 17
anos. O Hori está no Nippon até hoje,
onde suas raquetadas logo pela
manhã e, na sequência, as substitui pelo
taco de mallet golf, esporte que vejo ser
admirado e praticado também por
muitos outros tenistas.
Fiz a Faculdade de Belas Artes e dava
aulas de desenho técnico durante a
semana. Aos sábados e domingos,
ministrava os treinos nas Clínicas de
Tênis do Nippon. Eram aulas individuais,
que começavam às 8 da manhã e termi-
navam às 18 horas. Era uma loucura,
com treinamentos de 20 minutos, um
atrás do outro. Foram cinco anos nesse
ritmo alucinante.
No meio das aulas de tênis eu parei com
as de desenho técnico. Também na
época, me convidaram a defender o
Japão no Torneio dos Imigrantes. Aceitei
e fui jogar em uma academia em Santo
Amaro. Tive um bom desempenho e o
dono dela me convidou para dar aulas de
tênis por também. O magistério, na
época, estava afundando e não apresen-
tava muitas perspectivas de melhora.
Coloquei tudo no papel e vi que as aulas
de tênis me dariam o triplo de rendimen-
tos no mês.
Assim, durante a semana mantive as
aulas em Santo Amaro e aos sábados e
domingos no Nippon, onde devia ter uns
30 alunos, entre crianças, jovens e
adultos. Muita gente que continua
jogando tênis ou praticando mallet golf
passou pelas minhas mãos. Vez por outra
encontro com alguns deles e trocamos
um papo em tom de saudosismo.
O que mais me chamava a atenção no
Nippon era o conceito de família que
formamos. Além de dar aulas, jogava
com o pessoal ou com as amigas após o
expediente. Meus pais Toshio e Kiyoko
Abiko aproveitaram muito pouco o clube.
Curiosamente, meu pai nunca jogou
tênis, mas sempre me acompanhava nos
torneios e entendia mais do esporte do
que qualquer um. Entre vitórias e derro-
tas, ele sempre me explicava onde
acertava ou cometia meus erros. Foi,
literalmente, meu técnico sem nunca ter
jogado.
Meu filho Kaiky também jogou no Nippon.
Hoje ele está no Japão, para onde foi
após ganhar uma bolsa para jogar tênis.
Mas o que seria temporário tornou-se
permanente. A princípio a bolsa para uma
universidade era de quatro anos, mas ele
está naquele país 16 anos.
Afastei-me do Nippon por alguns longos
anos. As aulas, em dois locais distintos,
passaram a ficar muito puxadas. Troquei
também a academia de Santo Amaro pela
Play Tennis, onde fiquei por 23 anos. Na
mesma época, problemas pessoais
também complicaram a minha agenda,
mas o Nippon, definitivamente, nunca
saiu do meu coração.
Retornei ao clube aos 40 anos de idade
para disputar o Intercolonial no
Coopercotia Atlético Clube. Ou melhor,
simplesmente me acharam. Fui encontra-
da pela amiga Élia Yamakawa, que me fez
o convite com o objetivo de que eu
aceitasse o desafio de defender o clube
no maior torneio de tênis da comunidade
nipo-brasileira. Na época, havia dado um
Althéa Motoko Abiko
“Como conhecedora
de muitos clubes,
posso garantir que
o Nippon tem uma
das melhores
estruturas para se
jogar tênis em todo
o país. Além de boas
quadras, o
ambiente também é
ótimo e o clube
funciona como
uma grande e
verdadeira família”
O Nippon é a minha grande família
S
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 39
tempo aos torneios e às aulas da Play
Tennis. Nem raquetes eu tinha mais.
Ainda assim, aceitei o convite da Élia
Yamakawa. Ganhei uma raquete do seu
marido, Álvaro Yamakawa, que tenho
guardada até hoje, para disputar o
Intercolonial. Ganhamos o torneio
(realizado desde 1961, do qual tenho 58
títulos, sendo 46 de campeã e 12 de
vice-campeã) e retornei definitivamente
ao Nippon, retomando inclusive o título
de sócia. O Departamento de Tênis, na
época, estava sob o comando do Valter
Sassaki e passara por várias mudanças.
Nessa volta, passei a me divertir mais. A
pegada, agora, era outra, ia para jogar
com os amigos. Lembro que ficava na
quadra 1 o dia inteiro.
O Nippon foi, sem dúvida, o clube mais
marcante em minha vida como atleta.
Foi nele que vivi os melhores momentos
e obtive as maiores conquistas. Em
1995, nós montamos uma boa equipe
para jogar o Interclubes Estadual de
Damas, com o sexteto formado por mim,
Élia Yamakawa, Ângela Nakane, Elza
Fukuda, Junko Suzuki e a Emiko Sassaki.
Ganhamos a competição e depois parti-
mos para o Brasileiro, em Porto Alegre.
Estávamos jogando a final e tivemos o
grande reforço do nosso diretor Valter
Sassaki nas arquibancadas. estáva-
mos nós seis, mulheres, em uma final
contra a equipe Leopoldina, dona da
casa, e com toda a torcida contra.
Acabamos ganhando e adquirimos o
direito de disputar o Sul-Americano, no
Chile.
A conquista sul-americana não aconteceu
por muito pouco. A derrota por3a1
ocorreu diante da anfitriã equipe chilena.
Na semifinal ganhamos da Argentina,
pelo mesmo placar, em uma vitória
emocionante. Com aquele sexteto,
jogamos muitos Interclubes e o fato de
nos conhecermos muito tempo,
facilitou os nossos jogos em quadra. Foi
uma época boa, com ótimas recordações,
além de elevarmos o nome do Nippon no
cenário nacional.
Como conhecedora de muitos clubes,
posso garantir que o Nippon tem uma das
melhores estruturas para se jogar tênis
em todo o país. Além de boas quadras, o
ambiente também é ótimo e o clube
funciona como uma grande e verdadeira
família. No Pinheiros e no Paulistano,
agremiações também tradicionais em
São Paulo, sinto que o ambiente é dife-
rente. O Nippon, certamente, é muito
mais familiar.
Perdi as contas de quantos títulos
ganhei em minha carreira. Até hoje
participo de torneios, inclusive internaci-
onais. Estou buscando alguns troféus
ainda, especialmente no Chile, Peru e
Argentina. Em 2015, estive no Mundial
de Super Seniors na Croácia por equipes.
Entre 17 países, ficamos na sétima
Althea Abiko
conquistou
importantes títulos
como tenista, e
tornou-se
professora de tênis
do clube em 1981.
Em 1995, junto com
as amigas do clube,
conquistou os
títulos brasileiro e
sul-americano de
damas
Althea Abiko comandando a Pré-
Clínica de tênis em 2008
posição. Em 2019, participei também do
Roland-Garros Amateur Series, que
transportou atletas amadores ao torneio
mais charmoso do saibro e que consagrou
o tenista mais carismático do Brasil:
Gustavo Kuerten. Ganhar é gostoso, mas
nem sempre é o mais importante quando
se faz o que gosta.
Sempre que posso estou no Nippon. Pelo
menos uma vez por mês ainda quero ir
ao clube, bater uma bolinha, rever os
amigos, almoçar ou tomar um chá da
tarde com as companheiras. E avisei
ao Valdemar Sassaki (diretor do Departa-
mento de Tênis) que estarei sempre à
disposição. Da secretaria do clube ao
restaurante, passando pela piscina ou
pelas quadras, sou sempre bem recebida
e com grande carinho. Por isso digo, sem
titubear, que o Nippon é, sem dúvida, a
minha grande família.
40 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
eus filhos Evelyn, Igor e Suelen foram
criados no Nippon, por isso o clube
marca muito a minha vida. Sou sócio
desde 1985, mas o frequentava
acompanhando meu primo. Dois pontos
pesaram muito na minha decisão para
comprar o título na época: o clube
idealizado para família e a boa
infraestrutura com parque aquático,
quadra de voleibol, futebol de salão e
espaço para o tênis de mesa.
Quando começamos, minha filha mais
velha Evelyn, juntamente com a minha
esposa Flora associaram-se ao Departa-
mento de Voleibol, e meu filho, ainda
pequeno começou a jogar futsal. Come-
çamos assim a nossa história no clube.
Na época, eu tinha um mercado e traba-
lhava muito. Chegava no domingo,
cansado, mas fazia questão de ir ao
Nippon para o nosso momento dedicado
ao lazer junto com a família.
A participação da minha família no
voleibol começou com o departamento
comandado pelo saudoso Yoshio Endo.
Costumo dizer que ele foi meu padrinho
no clube, me levou a ajudar nos bastido-
res, e na sequência a assumir a diretoria
por três gestões. Eu nunca fui jogador,
gostava mesmo era de trabalhar nos
bastidores.
Na época, nosso professor de vôlei era o
Antonio Branco, que muito contribuiu
para o departamento, mas com o au-
mento do número de associados convida-
mos então os professores Lucicler e
Wagner Vilela, que treinavam meus
filhos na Associação de Vila Matilde. Com
o crescimento do departamento partici-
pamos de vários campeonatos
Intercoloniais, estaduais e, juntos,
promovemos uma série de mudanças.
Saímos das tradicionais aulas e treinos e
apostamos também nos eventos.
Em 2001 criamos o Acantona Volley, com
o objetivo de trazer as crianças para o
Nippon durante as férias. Sempre ouvía-
mos que havia acampamentos em hotéis
e clubes, mas o nosso associado não
tinha nada disso na época. As crianças
passavam a semana inteira conosco com
diversas atividades culturais e esporti-
vas. Na primeira edição, contamos com
a importante ajuda dos chefes do Grupo
Escoteiro Ebenezer, do qual minha filha
mais nova Suelen frequentava em São
P aulo.
Meus filhos Igor e Suelen participaram
da primeira edição do Acantona. O
evento foi um sucesso, o que despertou
nas crianças o interesse também pelo
escotismo. Ali foi plantada a sementinha
para que pudéssemos idealizar a criação
do Grupo Escoteiro Nippon.
Contamos com o apoio do presidente
Sadao Kayano, sua esposa Rosinha e o
Toshio Watanabe, da Diretoria de Espor-
tes (Diresp), neste novo projeto. Troca-
mos algumas ideias com Yutaka
Watanabe, nosso tesoureiro e participan-
te ativo do movimento de escoteiros no
Coopercotia Atlético Clube. Formamos um
grupo de voluntários e fizemos o curso
para chefe de escoteiro. Assim, começou
18 anos a história do Grupo Escoteiro
Nippon, comandado pelo chefe Tetsuo
Goto.
No final de 2019, o nosso grupo escoteiro
ganhou uma ampla e moderna sede no
clube. Creio que dei a minha contribuição
e fico extremamente feliz com o desen-
volvimento do grupo no clube.
Em 2020, o Acantona Volley completou 20
anos ininterruptos de histórias e faço
agradecimentos aos diretores e ao nosso
querido professor Wagner Vilela, que
deram continuidade a esse lindo projeto.
O evento cresceu significativamente e foi
marcante para várias gerações.
A minha preocupação como diretor
sempre foi conseguir atender toda a
família, e sentimos a necessidade de
cuidar também do "odiitian" e "obaatian",
e questionei a mim mesmo: "o que o
Nippon pode oferecer para eles?". Assim,
em 2003, surgiu o Grupo da Melhor Idade,
comandado com muito carinho pela
diretora Alice Nakamura.
Diretoria forte é sinal de voluntários comprometidos
Edison Massato Ikuno
“Meus filhos
cresceram aqui no
clube e hoje com
netinhos espero
conseguir
aproveitar com
eles e usufruir de
tudo que
ajudamos a
construir”
M
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 41
Com a experiência no Departamento de
Voleibol, fui convidado para atuar como
vice-diretor da Diretoria de Esportes.
Atuei nas gestões de Oscar Okiyama,
Toshio Watanabe e Valter Sassaki.
Desafios distintos com cada um deles,
mas de fundamental importância para o
clube. E acredito que os desafios nos
lapidam, sempre, e tornamo-nos melho-
res gestores, especialmente com o apoio
dos amigos.
Particularmente, ter passado pela Direto-
ria de Esportes foi importante nesse
processo, pois também acabou sendo
uma escola, mesmo sem eu nunca ter
praticado um esporte sequer. Mas
quando você se julga útil, naturalmente
agrega para sanar problemas.
Da experiência nos espor-
tes, passei seis anos
para a Diretoria Social,
como um dos vices do
amigo Rubens Kamoi.
Acredito que o Social hoje é
forte porque tem também
uma diretoria forte. E
uma diretoria forte, porque
voluntários muito com-
prometidos.
Meus filhos cresceram aqui
no clube e hoje com neti-
nhos espero conseguir
Edison Ikuno foi
diretor de
voleibol, vice-
diretor de
esportes e vice-
diretor social,
cargo que ocupa
até hoje, além de
ser membro do
Conselho
Deliberativo
Na inauguração do escotismo no Nippon, Edison Ikuno é o segundo sentado a partir da
esquerda
aproveitar com eles e usufruir de tudo
que ajudamos a construir.
Como será o Nippon no futuro? Ainda não
sabemos como estará o Brasil no pós-
pandemia. É certo que teremos que nos
adequar ao "novo normal" como estão
dizendo por aí. Nós brasileiros, gostamos
de abraçar, estar ao lado das pessoas,
mas teremos que reaprender algumas
coisas. Nós seremos amplamente exigi-
dos para atender todas as novas regras e
todos deverão buscar a inovação.
E nesse cenário, o nosso tempo como
gestores está passando e precisamos
deixar um bom legado para os mais
jovens. Precisamos garimpar novas
lideranças, pois os 70 anos do clube
chegarão num piscar de olhos.
Edson Ikuno, Rubens Kamoi e Roberto Noda
Edison e Flora Ikuno, dançando quadrilha na
festa junina
42 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
Nippon, ao contrário de muitos outros
clubes do Brasil, que perderam a força ao
longo do tempo, especialmente com o
aumento das academias e o surgimento de
condomínios residenciais completos, veio
se fortalecendo nos últimos anos. O grande
diferencial são os valores e o senso de
comunidade que permeiam tudo o que
acontece no clube. É uma verdadeira
família no sentido de acolhimento, aten-
ção, carinho e colaboração. Apesar de ser
um clube grande, percebe-se uma relação
próxima entre as pessoas, sabemos os
nomes dos associados.
O Nippon, onde o coletivo está acima de
tudo, vai na contramão dessa sociedade
que é cada vez mais individualista. Essa é a
grande virtude que faz com o que o clube
cresça e se fortaleça.
Fui um dos idealizadores das Clínicas de
Tênis no Nippon (dei aulas durante sete
anos) na década de 90, e que até hoje é
um sucesso no clube. Ali, juntamente com
o Movi, foram as melhores escolas que eu
poderia ter na minha vida sobre
empreendedorismo e liderança. Foi que
desenvolvi a capacidade de ter que falar
em público toda semana, preparar apresen-
tações, trabalhar em equipe, sonhar em
conjunto e usar a criatividade para fazer
coisas com poucos recursos. Também
desenvolvi a resiliência ao enfrentar
dificuldades como grupo e conseguir
resultados incríveis. Foi uma das melhores
épocas da minha vida, e tenho muito
orgulho de ver hoje adultos de muito
sucesso com quem tive o prazer de convi-
ver na clínica.
Lembro que a turminha do tênis, com o seu
idealismo, acabou por gerar em 1997 o
Movimento Jovem (Movi) do Nippon, que
surgiu para proporcionar oportunidades
para que as pessoas pudessem desenvolver
todo seu potencial e habilidades para irem
atrás de seus sonhos. Acreditávamos que
pessoas melhores construiriam um mundo
melhor, por isso nos dedicamos ao máximo
para desenvolvermos o potencial dos
jovens baseado em valores.
Fomos inspirados pelo Movimento de
Menores do Peru, organizado pela
Associacion Estadio La Union. O Movi
Mente ocorreu em julho de 1998, com
show de abertura no Clube Ipê e durante
nove dias, entre 25 de julho e 9 de agosto,
os cerca de cem participantes puderam
aprender e vivenciar um pouco sobre
liderança, comunicação organizacional,
planejamento e trabalho em equipe.
Foi uma experiência única que me propor-
cionou muitas oportunidades para apren-
der a trabalhar com um grupo enorme de
pessoas espetaculares. Na verdade, o
grupo do Movi era composto por pessoas
tão especiais, que meu trabalho não foi
muito complexo ou difícil de fazer.
No fundo, me sinto grato e honrado por
ter conseguido viver tudo aquilo na época.
quem passou pelo Movi naquela época
entende a intensidade, altruísmo, conquis-
tas, aprendizado e a conexão que tínhamos
entre nós. Não imaginava, sinceramente,
que pudéssemos chegar tão longe. São
mais de 20 anos de história, ou um terço
da vida do Nippon, e me alegro em saber
que conseguimos levar o projeto até
para outros países.
O tênis foi a minha principal prática no
Nippon, mas também fiz natação inspirado
pelo técnico Norio Ohata (fui federado pelo
Clube Atlético Paulistano e viajei bastante),
que comecei em razão da bronquite e
cheguei a ser campeão paulista, e o futebol
também. Frequentava o clube todos os
finais de semana, mas acabei me ausentando
durante alguns bons anos por conta dos
meus estudos e trabalho nos Estados
Unidos. Foi uma fase muito difícil, eu sentia
muita falta da família e dos amigos.
Estar num país distante longe das pessoas
que você ama e que te querem bem não é
uma tarefa fácil. Muitas vezes pensei em
voltar para casa. Mas eu sabia muito bem os
motivos que me levaram para Stanford e que
a experiência que estava tendo seria muito
importante para minha formação pessoal e
profissional.
Voltei ao Brasil em 2007 para estar próximo
da família e dos amigos e, sobretudo,
retribuir ao país e às outras pessoas todas
as oportunidades que a educação me
proporcionou. Trabalhei em grandes compa-
nhias, como a suíça Credit Suisse, e ocupei
a vice-presidência da americana Goldman
Sachs, um dos maiores bancos de investi-
mento do mundo. Mas a volta acelerou o
desejo de ajudar crianças e jovens a
desenvolverem seu potencial e buscar seus
sonhos. Cheguei num momento da minha
vida onde pude juntar meu trabalho com
meus sonhos de vida. Me sinto abençoado
por isso e agradeço todos os dias.
A comunidade japonesa no Brasil valoriza
muito a educação. Como os imigrantes
vieram para em condições difíceis, a
formação era vista como uma maneira de
garantir um futuro melhor para filhos e
netos. No meu caso, foi mesmo. Sou neto
de japoneses que emigraram na década de
Clínica de Tênis e o Movi, as melhores escolas
Claudio Sassaki
Aos jovens do
Nippon, que são a
base da nossa
futura geração de
associados, quero
encorajá-los a
sonhar grande e
não desistir dos
sonhos nunca.
Façam aquilo em
que acreditam e
tenham a coragem e
a ousadia de querer
mais, sempre”
O
NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS 43
30. Por isso, após abandonar o mundo
financeiro, resolvi apostar na criação de
uma startup na área de educação.
Assim, criei a Geekie em 2011, que nasceu
com base no princípio de que duas pessoas
não aprendem da mesma forma. Nós
customizamos o processo de ensino-
aprendizagem por meio de tecnologias
inovadoras e inteligência artificial. Nosso
primeiro passo foi pensar nas maneiras de
identificar as deficiências na aprendizagem
dos alunos e orientar o estudo de forma
individualizada. Para isso, desenvolvemos
uma ferramenta chamada Diagnóstico
Personalizado Geekie, voltada para alunos
do ensino médio. Utilizamos a inteligência
artificial e a inteligência de máquinas para
apontar quais conteúdos o aluno não
aprendeu corretamente e sugerir tópicos
que precisam ser mais bem trabalhados.
Pais e professores também acompanham o
desempenho dos alunos, contribuindo para
o seu desenvolvimento.
Como destaquei em uma entrevista à PEGN
em 2018, não fui o primeiro empreendedor
da família. Meu avô materno veio para
trabalhar no campo, no Pará, mas logo se
mudou para São Paulo, onde teve um
mercado de produtos japoneses, primeiro
em Lins, no interior paulista, e depois em
Diadema, na região metropolitana da
capital. Tenho uma lembrança boa da
infância, de ajudá-lo a embalar biscoitos e
balas na garagem de casa. Meus avós
paternos também trabalharam na roça e
depois conseguiram comprar suas próprias
terras. Um aspecto importante da cultura
dos japoneses é zelar pelo nome e pela
reputação da família. Isso se reflete na
forma como conduzo os negócios.
Por conta do trabalho, e com o nascimento
dos meus filhos Yasmin, Luana, Vitor e
de empreendedorismo
Lucca, hoje frequento o Nippon esporadi-
camente. É uma presença, infelizmente,
muito pontual. O grande desafio é conciliar
a minha rotina profissional, que demanda
demais, com outras atividades. Então, os
finais de semana são mais dedicados à
família, com quem procuro curtir um tempo
especial. Mas quando estamos no clube, o
que mais aproveitamos mesmo é a área da
piscina, e quando possível, o playground, a
área do tênis e os grandes eventos, como o
Nippon Fest e a Festa Junina.
Em 20 anos, do meu início nas Clínicas de
Tênis e a criação do Movi (espero ver os
meus filhos no grupo futuramente), o
Nippon mudou muito. Era um local com
área verde enorme e hoje evoluiu para um
clube que tem a melhor estrutura do Brasil
sem dúvida nenhuma. Não conheço outra
agremiação que ofereça esse conjunto de
atividades e de opções como o que temos.
É um clube diferente, espetacular e que
tem nos esportes, no cultural e no social
os seus pontos fortes.
Vejo evolução em outras áreas do Nippon,
especialmente na social e na formação de
lideranças. O clube tem um escopo de
atividades mais completo do que havia
atrás. E à medida que ele fica maior, mais
pessoas passam a frequentá-lo, mas não se
pode perder nunca os valores de ética,
convivência, ajuda e colaboração, que
fazem parte da história de sua criação.
Não consigo mensurar apenas em palavras o
tamanho do papel do Nippon na minha
formação pessoal, valores, na forma de
enxergar o mundo e nas experiências que
eu tive. Mas o esporte, sem dúvida, me
trouxe grandes aprendizados, em especial o
de perseverar sempre e levantar-me após
cada queda. Poderia aqui enumerar várias
passagens, conquistas e vitórias.
Mas as amizades, essas são muito
marcantes. Quando ficávamos no hotel,
convivendo juntos durante uma semana
preparando-nos para algumas atividades,
tínhamos as nossas dez regras. Quem é
dessa época, dos primórdios do Movi, vai se
lembrar. Era uma relação de muita amizade,
respeito e aprendizado que vou levar para o
resto da minha vida.
Aos jovens do Nippon, que são a base da
nossa futura geração de associados, quero
encorajá-los a sonhar grande e não desistir
dos sonhos nunca. Façam aquilo em que
acreditam e tenham a coragem e a ousadia
de querer mais, sempre. Não se limitem à
sua história ou a de sua família, mas as
valorize e tenham orgulho delas. O que o
mundo quer e precisa é que vocês sejam
diferentes dos outros. No Nippon ou em
qualquer outro lugar do mundo.
Claudio Sassaki foi
um dos
idealizadores das
Clínicas de Tênis e
professor do clube
por sete anos. Foi
o idealizador do
Movimento Jovem
e do principal
evento do
departamento, o
Movi Mente
Claudio Sassaki com a então vice-diretora social Tissa Chiota no boonenkai de 1999 onde
recebeu homenagem
44 NIPPON COUNTRY CLUB 60 ANOS
empre cobrei dos meus filhos uma
maior convivência com a comunidade
nipo-brasileira. Como filho de imigran-
tes japoneses, via isso quase como
uma obrigatoriedade. Mas, acontece
que eu não oferecia muitas possibili-
dades para eles. Cheguei a ir a algu-
mas associações nikkeis, mas na
época não ofereciam muitas opções
para os jovens.
Mas foi uma visita ao Nippon Fest,
atendendo a um convite de um paci-
ente do consultório, que conheci o
Nippon em 1999. Era uma festa muito
mais simples do que temos hoje, mas
foi interessante. Vi, em especial, a
presença maciça de muitos jovens e
um clube realmente preocupado em
valorizar aspectos da cultura japone-
sa. A ideia de tornar-me sócio desper-
tou.
O que me chamou atenção foram as
possibilidades que o clube oferecia
para mim, como associado, e aos
meus filhos (Roberto Kazutoshi Tanaka
Júnior e Elysson Keniti Tanaka). De
imediato meus filhos partiram para o
Departamento de Karatê. Mas não
conhecíamos ninguém no clube.
Enquanto eles estavam nas aulas aos
domingos, eu e minha esposa ficáva-
mos no carro lendo. Levava o jornal
Estadão (quem é da época vai se
lembrar que a edição dominical era
extremamente grande) como leitura
obrigatória. Não havia tecnologia na
época, que nos permitisse, por exem-
plo, fazer leituras pelo celular.
Aos poucos, comecei a participar mais
do clube, até porque também era um
praticante de karatê. Com a experiên-
cia em kaikans, comecei a ver possibi-
lidades para o departamento. O
presidente Sadao Kayano nos convi-
dou para uma reunião. À época, os
amigos Murilo Neves e Jackson
Kameyama haviam assumido o depar-
tamento, como colaboradores e pais
de atletas. Estavam ali para darem
uma força e recomendaram meu nome
para ser diretor da modalidade, que
foi aceito pelo presidente.
Assim, em 1999, assumi o Departa-
mento de Karatê. Para me incentivar,
Kayano nos ofereceu um quiosque.
Entre 2001 e 2002, incluímos na
programação as aulas de judô, passan-
do assim a ser o Departamento de
Artes Marciais. O início oficial ocorreu
em 27 de janeiro de 2002, com a
realização do Festival de Artes Marci-
ais, com apresentações de karatê,
judô, aikidô e shorinji kempô.
Socialmente, também passamos por
uma ampla transformação. A Festa do
Halloween foi o primeiro evento
social dentro do departamento. E foi
um sucesso, que até outros grupos
ficaram impressionados com a reper-
cussão. Reunimos, na ocasião, cerca
de 120 jovens fantasiados (entre
jovens e adultos). Com isso, o depar-
tamento deu um boom. Tivemos
ainda, com enorme sucesso, um
rolezinho com mais de 80 jovens
nikkeis no Shopping Center Tatuapé,
em São Paulo. Foi uma invasão nipo-
brasileira do departamento naquele
local, que até assustou a segurança do
shopping.
Com o crescimento do departamento,
também passamos a promover nossas
competições, como o Campeonato
Brasileiro de Karatê Shotokan JKA
(Japan Karate Association). Hoje, ele
está na 21ª edição e em 18 ocasiões
ocorreu no Nippon (além do Rio de
Janeiro